terça-feira, 30 de março de 2010

Esplanadas, esplanadas... Qual é a sua, nesta Primavera?










     Desenhos de Eduardo Salavisa, in  http://diario-grafico.blogspot.com/

Eu adoro esplanadas! Junto a um rio, numa praia, numa praça, num parque ou num jardim. Para tomar café, lanchar, almoçar, ou jantar. Ler, escrever, conversar, rabiscar e estar ... estar à luz do sol, agora que a tarde se prolonga pela noite.

E, nesta Primavera, inconstante,  partilhe (se for caso disso)  em As Estações do Ano, qual é a sua esplanada, onde gosta de estar, de tomar café, ler o jornal, almoçar, estar com os amigos, enfim ... o que quiser.

Porque eu gostaria que este blogue também fosse um espaço de partilhas e, não um espaço exclusivamente meu, aguardo a vossa participação primaveril, como o tema.

Nota: Pedia para não identificar explicitamente os espaços referidos, localizar sim.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ir ao Teatro

Mais do que falar sobre Teatro, é ir ao Teatro. É assim que se comemoram as coisas. Estando presente!



                                                       Euridice e Orfeu, no CCB,  15 e 16 de Abril (dança)


Proposta: Progama do Teatro Nacional D. Maria II (clique no título)

Dia Mundial do Teatro: Osório Mateus

Hoje, comemora-se o dia Mundial do Teatro,  e eu gostava, aqui de falar de Osório Mateus, meu professor de História de Teatro e Literatura Portuguesa, na Faculdade de Letras, que me ensinou que o  teatro acompanha o Homem desde a sua existência, sendo uma forma de linguagem intrínseca, natural do ser humano,  podendo tomar inúmeras e variadas formas.
As suas aulas e, essencialmente, a sua personalidade única, marcam de forma indelével, a memória que guardo dele:
As palavras obra e peça estavam proibidas, porque estavam gastas de tanto serem usadas e obrigava-nos a descobrir outras. E assim como palavras, tinhamos que descobrir outros caminhos, outras formas de olhar, neste caso, o teatro.
Para classificar as nossas produções, ele utilizava os termos Interessante ou Não Interessante, dando-nos sempre a possibilidade de as transformar em interessantes, claro!
Polémico, ele incomodava, inquietava, provocava ... mas como eu gostava dele!

A ele devo, em grande parte, esta minha forma de olhar e perceber a arte e quem sabe (?) o mundo.

Para ver a biografia de O.M. clique no título.

Testemunhos:  http://clarices-bichocarpinteiro.blogspot.com/2009/10/da-educacao.html

quarta-feira, 24 de março de 2010

Momentos de Partilha

Terminei o Inverno, com a pergunta O que nos conforta ou confortou neste Inverno. Queria agradecer a todos os que partilharam neste blogue essa intimidade.
Para aqueles que passam, param, ficam e gostam, espero que voltem sempre e, talvez, quem sabe, queiram participar no próximo momento de partilha, agora, primaveril ...

Desenho de Eduardo Salavisa in  http://diario-grafico.blogspot.com

quarta-feira, 17 de março de 2010

Rua da Saudade - Canções de Ary dos Santos ao vivo

Porque a poesia se comemora todos os dias, desloque-se ao coliseu e assista ao espectáculo, Rua da Saudade, dia 19 em Lisboa e dia 26, no Porto.
 Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti são as intérpretes dos poemas da autoria de Ary dos Santos. Não percam!

Mais informações, clique no título.

Ary dos Santos

Cavalo à solta

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

terça-feira, 16 de março de 2010

Ouçam o que eu ouço nas voltas desta cidade - RFM

Pedes-me um tempo,
para balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair..

Pedes-me um sonho,
para fazer de chão.
Mas eu desses não tenho,
só dos de voar.

Agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração...

Pedes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens.
Esqueces que às vezes,
quando falha o chão,
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos.

Pedes-me um sonho
para juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte
se volta a colar.

E agarras a minha mão
com a tua mão e prendes-me
e dizes-me para te salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração.

Mafalda Veiga, Balançar  (se desejar ouvir a canção clique no título)

sábado, 13 de março de 2010

Madame Butterfly em ATONEMENT, filme de Joe Wright

Consultei um blogue de um amigo. Nos filmes favoritos, Atonement, 2007.  Escolhi um pequeno detalhe deste impressionante filme: Madame Butterfly de Puccini.

domingo, 7 de março de 2010

O que nos conforta / confortou neste Inverno.

A Primavera está quase, quase a chegar!
Mas antes que o Inverno termine (que já são horas!), convido-vos a participar no tema deste blogue O que nos conforta / ou confortou neste Inverno? 

Sejam muito bem vindos  às Estações do Ano!

sexta-feira, 5 de março de 2010

PARAR para LER

E, na nossa aula de LP, parámos para ler. O Ricardo já tinha escolhido o conto O pai que se tornou mãe, e convidou a Catarina para ler com ele. Então, ouçam!

"Toda a gente sabe que são as mães que trazem os filhos dentro da barriga. Os bebés formam-se no ventre das mães, crescem, e depois saltam cá para fora - para a luz.
O que pouca gente sabe é que há uma excepção. Existe uma espécie animal em que é o pai que cria os filhos dentro da barriga e é ele que os entrega à luz: o cavalo-marinho. Como é que isto aconteceu? É essa a história que hoje vos quero contar: uma incrível história de amor. O fim talvez seja um pouco triste. Mas é sempre assim: as histórias de amor só são felizes quando não as contamos até ao fim.
Há muito, muito tempo, no tempo em que os Homens ainda não falavam, nesse tempo vivia no mar um casal de cavalos-marinhos. O mar, para eles, era um imenso jardim. Naquele tempo estava tudo no princípio, todas as coisas eram novas e brilhavam. Mário e Maria gostavam de passear, de descobrir animais estranhos, paisagens perdidas, outros mares.
(...)
Uma manhã Maria acordou doente. Tinha perdido o brilho. Ela que sempre tivera uma cor tão bonita, estava a ficar baça e transparente. Sentia-se muito leve, sentia que alguma coisa se apagava lentamente dentro dela. (..) À medida que as horas passavam Maria tornava-se menos existente -- desaparecia.
- Não me deixes- pediu-lhe Mário - Ainda temos tanta coisa a descobrir.
Maria ficou com pena. Não podia deixá-lo tão sozinho. Com as poucas forças que lhe restavam encostou-se a ele.
- Vou dar-te os nossos filhos - disse- quando eles nascerem mostra-lhes o mar.
Disse isto num suspiro e desapareceu. Durante os primeiros dias, sozinho, Mário sentiu-se perdido. O mar deixara de ser um jardim: achava-o agora grande, escuro e perigoso.
(...)
Então, numa manhã de muito sol, com o mar todo iluminado, Mário viu que a sua barriga se abria,e viu saltarem lá de dentro dezenas de pequeninos cavalos-marinhos. Eram os seus filhos.
Talvez há pouco me tenha enganado. Parece-me agora que esta história tem um final feliz. Porque decidi que ela acaba aqui, num nascimento, e porque a partir daquela manhã de sol, passou a existir um pai que dá à luz."*

Os alunos, no final, bateram palmas e eu adorei ouvi-los.

*in Estranhões e Bizarrocos de José Eduardo Agualusa (texto com supressões)
 Ilustrações de Henrique Cayatte