Mostrar mensagens com a etiqueta Ala dos Namorados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ala dos Namorados. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A Terra gira ao contrário e os rios nascem no mar ...



Os loucos de Lisboa

Parava no café quando eu lá estava
Na voz tinha o talento dos pedintes
Entre um cigarro e outro lá cravava
a bica, ao melhor dos seus ouvintes

As mãos e o olhar da mesma cor
Cinzenta como a roupa que trazia
Um gesto que podia ser de amor
Sorria, e ao partir agradecia

São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
Que a Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar

Um dia numa sala do quarteto
Passou um filme lá do hospital
Onde o esquecido filmado no gueto
Entrava como artista principal

Compramos a entrada p'ra sessão
Pra ver tal personagem no écran
O rosto maltratado era a razão
De ele não aparecer pela manhã


Mudamos muita vez de calendário
Como o café mudou de freguesia
Deixamos de tributo a quem lá pára
Um louco a fazer-lhe companhia

E sempre a mesma posse o mesmo olhar
De quem não mede os dias que vagueam
Sentado la continua a cravar
Beijinhos as meninas que passeiam.

poema de João Monge
música de João Gil

sábado, 28 de março de 2015

FELICIDADE | Ala dos Namorados

E no dia em se comemorou o dia Mundial do Teatro, a Ala dos Namorados apresentou o seu disco FELICIDADE, no Teatro Aberto. Nuno Guerreiro e Ana Bacalhau cantaram e encantaram. Ouvir aqui!  Momentos mágicos! <

O que mais me custa

Talvez
seja isto a solidão
este nó no coração
apertado com saudade

Talvez
seja isto o abandono
como as folhas do outono
que se espalham na cidade

Talvez
seja só isto que sobra
quando o tempo vem e cobra
a alegria que nos deu

Talvez
seja só isto que resta
quando nada já nos resta
quando tudo já doeu

O que mais custa é não saber de ti
Não saber se me esqueceste
Não saber se me perdeste
não saber se te perdi

Talvez
se eu voltasse a ser brinquedo
eu matasse este medo
 de já não servir ninguém

Talvez
 se eu voltasse à tua mão
se acabasse a escuridão
e eu visse mais além

Talvez
 seja isto que magoa
ver que o tempo não perdoa
e que o teu amor passou

Talvez
seja assim que tudo acaba
pode ser que talvez nada
nos avise que acabou

o que mais custa é não saber de ti
Não saber se me esqueceste
Não saber se me perdeste
não saber se te perdi

poema de José Fialho de Almeida
música de Manuel Paulo