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sexta-feira, 1 de maio de 2015
Chuva no mar | Carminho e Marisa Monte
Chuva no mar do álbum Canto, 2014
poema de Arnaldo Antunes e música de Carminho e Marisa Monte
terça-feira, 16 de julho de 2013
Mariza e Tito Paris | Beijo de Saudade
Ondas sagradas do Tejo
Deixa-me beijar as tuas águas
Deixa-me dar-te um beijo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade
Para levar ao mar e o mar à minha terra
Nas tuas ondas cristalinas
Deixa-me dar-te um beijo
Na tua boca de menina
Deixa-me dar-te um beijo, óh Tejo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade
Para levar ao mar e o mar à minha terra
Minha terra é aquela pequenina
É Cabo Verde terra minha
Aquela que no mar parece criança
É filha do oceano
É filha do céu
Terra da minha mãe
terra dos meus amores
Bêjo Di Sodade
Onda sagrada di Tejo
Dixám'bejábu bô água
Dixám'dábu um beijo
Um bêjo di mágoa
Um bêjo di sodadi
Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra
Na bôs onda cristalina
Dixám'dábu um beijo
Na bô boca di mimina
Dixám'dábu um beijo óh Tejo
Um bêjo di mágoa
Um bêjo di sodadi
Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra
Nha terra ê quêl piquinino
È Cabo Verde, quêl quê di meu
Terra que na mar parcê minino
È fidjo d'oceano
È fidjo di céu
Terra di nha mãe
Terra di nha cretcheu
Dixám'bejábu bô água
Dixám'dábu um beijo
Um bêjo di mágoa
Um bêjo di sodadi
Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra
Na bôs onda cristalina
Dixám'dábu um beijo
Na bô boca di mimina
Dixám'dábu um beijo óh Tejo
Um bêjo di mágoa
Um bêjo di sodadi
Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra
Nha terra ê quêl piquinino
È Cabo Verde, quêl quê di meu
Terra que na mar parcê minino
È fidjo d'oceano
È fidjo di céu
Terra di nha mãe
Terra di nha cretcheu
terça-feira, 28 de maio de 2013
Para ti | Mia Couto
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto
terça-feira, 2 de abril de 2013
Ondjaki e Danuta | O voo do Golfinho
"Tu sempre foste pássaro?"
perguntei a um deles, muito colorido.
"Não. Eu era uma serpente
mas sempre quis ser pássaro."
Outro tinha sido canguru
outro tinha sido camaleão
outro tinha sido gato.
Agora voamos juntos
Somos o Bando da Liberdade
Um bando de pássaros que eram
outros bichos e que sempre
desejaram voar
Pássaros de todas as cores
livres a cantar
livres quando
nos apetece sonhar.
Esta é a história de como eu era Golfinho
e aprendi a ser Pássaro.
Agora vou apreciar do alto
as cores do verão
vou ficar quieto
escutando a voz do meu coração.
Texto de Ondjaki e ilustração de Danuta Wojciechowska, uma edição de appc
(excerto)
segunda-feira, 11 de março de 2013
O que me confortou e aqueceu neste inverno
Neste inverno, que está quase a terminar, ouvi novas sonoridades - Aline Frazão, Márcia, António Zambujo, Ana Moura, Júlio Resende, Elisa Rodrigues, Selma Uamusse, Luísa Sobral, ... cujas músicas ouvi vezes sem fim. Para esta descoberta contribuíram as pessoas que estão na minha vida e me enriquecem. São elas que, verdadeiramente, me confortam e onde eu, efetivamente, me aqueço.
Descobri a poesia de Manuel António Pina e continuo apaixonada pela Arrábida. Os sentimentos, esses, mantêm-se complexos e indecifráveis ...
Descobri a poesia de Manuel António Pina e continuo apaixonada pela Arrábida. Os sentimentos, esses, mantêm-se complexos e indecifráveis ...
Espero que gostem desta ESTAÇÃO que é a minha! E a todos os que, aqui, param, por acaso ou não, já sabem que são sempre muito bem vindos.
Fado contido
O grito que este meu peito
Insiste em guardar sozinho
Desagua no teu leito
perde força no caminho
Chega a ti feito um lamento
Não é mais do que gemido
Canta a voz do desalento
Parece um fado contido
Em ti esquece que é grito
Tranforma-se em canção
Desmaia no corpo aflito
Ganha força no coração
Grito que este meu peito
Insiste em guardar sozinho
Virou canto do meu jeito
Para te encontrar no caminho.
Letra: Ana Geraldo
Música: Rogério Charraz
Etiquetas:
Inverno,
lusofonia,
Música,
sentimentos
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
terça-feira, 13 de novembro de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Verão: Vanessa e Ben Harper
Boa sorte / Good luck | Vanessa da Mata e Ben Harper
Festival do Sudoeste, 2 de agosto de 2012
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Estranhões & Bizarrocos | Pó dos livros
Comprei, pela segunda vez, Estranhões & Bizarrocos (estórias para adormecer anjos) de José Eduardo Agualusa, com ilustrações de Henrique Cayatte, D. Quixote, 2ª edição, nov. 2007.
Geralmente não me esqueço dos sítios onde compro os livros, porque passo "lá" imenso tempo. Livraria Pó dos livros a visitar no seu espaço físico e na blogosfera. Valem a pena os dois!
Numa mesa grande alguns livros destacavam-se. Indecisa entre um romance de Somerset Maugham e Dublinesca de Enrique Vila-Matas, lembrei-me que andava a sentir a falta deste livro de contos. Perguntei se tinham. Não! Foi a primeira resposta. Foram verificar. Afinal havia um! Respirei de alívio.
Estranhões & Bizarrocos é um livro que nos conta dez histórias: Estranhões, Bizarrocos e outros seres sem exemplo; Sábios como camelos; A menina do peluche; O peixinho que descobriu o mar; O primeiro pirilampo do mundo; O País dos Contrários; O caçador de borboletas; O pai que se tornou mãe; O sonhador e A menina que queria ser maçã.
Na contracapa lê-se, "Neste livro de José Eduardo Agualusa e Henrique Cayatte cabem os prodígios todos que cabem nos sonhos de crianças. São histórias para adormecer anjos."
"Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha feito uma boa caçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:
- Muito boa. - disse. - Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo."
em O caçador de borboletas
nota: neste blogue podem encontrar excertos dos contos O caçador de borboletas, O pai que se tornou mãe e O sonhador Sigam os links / ligações!
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Voa, voa Beija-flor ...
Terminei, neste ponto, a leitura do romance de Agualusa, Milagrário pessoal. O final é outro, já o tinha lido há mais tempo. É bom ler assim um livro, sem uma ordem aparente ...
"Beija-Flor ainda não sabe, mas vou oferecer-lhe uma viagem a Lisboa. Quero que te leve esta carta, quero que a entregue em tuas mãos, como numa antiga canção de roda dos meus tempos de menino:
Voa, voa Beija-flor
Leva esta carta ao meu amor.
Diz-lhe ao ouvido
palavras de ouro.
Diz que lhe deixo
A chave do tesouro."
em Milagrário pessoal de José Eduardo Agualusa, D. Quixote
sábado, 29 de outubro de 2011
Tantas são as coisas que não faremos nunca.
"O céu brilha azul e côncavo, sobre a minha cabeça. Há-de estar cheio de anjos sem asas, como os que vi, numa manhã sem outro milagre, há muitos anos, na cúpula da Capela Sistina. Sei disso porque daqui onde eu estou os sinto a respirar. Penso em todos os lugares que gostaria de visitar contigo. No que gostaria de fazer contigo - e não farei nunca:
Ler-te as ficções, de Borges.
Rir, enquanto nadássemos entre golfinhos, no mar sem maldade de Fernando Noronha.
Dormir no deserto.
Ensinar-te a flutuar no mar liso do Mussulo (ilhéu dos Padres).
Ensinar-te a dançar o tango.
Beijar os teus lábios depois de comermos juntos sorvete de pitanga.
Ver contigo Deus e o Diabo na Terra do Sol, do Glauber Rocha. Aliás ver contigo toda a filmografia de Glauber Rocha.
Desenhar, e depois construir, a casa perfeita.
Voar num balão sobre as montanhas da Huíla e o deserto do Namibe.
Passear de mãos dadas, no Parque Güell, em Barcelona.
Etc., etc., tantas são as coisas que não faremos nunca."
Local:
Portugal
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Milagrário Pessoal | Agualusa
"Vou anotando nas páginas do meu milagrário Pessoal os factos extraordinários que me sucedem, ou de que sou involuntária testemunha, dia após dia. É um diário de prodígios. Os milagres acontecem a cada segundo. Os melhores costumam ser discretos. Os grandes são secretos."
Milagrário Pessoal de José Eduardo Agualusa, D. Quixote, 2ª edição, 2010
Verbário | José Eduardo Agualusa
"Em criança, após a morte do meu pai, escrevi durante muitos meses um diário invisível, seguindo um método que ele me ensinara, brincando aos espiões, e que consistia em colocar sumo de limão numa caneta de tinta permanente. Perdi o caderno. Reencontrei o caderno já adolescente, pouco antes de partir para Roma em busca da santidade. Eu sabia que aquelas páginas estavam cheias de memórias, entretanto esquecidas, mas folheava-as e não via nada. Um dia, deixei o caderno abandonado ao sol. Quando o reabri, surpreendi-me ao verificar que o calor revelara as palavras. O tempo, que tem ainda mais força do que o sol, voltou a apagá-las. Guardei comigo, ao longo de tantos anos, esse diário invisível. Numa página ou noutra ainda se adivinha, como no livro de sonetos de Camões, aquele que foi pertença do patriota timorense, a vaga respiração de uma ou outra palavra. Tenho-o aqui nas mãos, o meu diário invisível. Folheio-o, com o mesmo tipo de arcaica e obscura fé com que uma pitonisa consulta as cartas ou os búzios.
Hoje saiu-me a página do
Hoje saiu-me a página do
Medo
E depois:
Sonho
Abismo
Solidão
Parece-me uma conjunção curiosa, embora não muito favorável. À quinta consulta, encontrei uma frase completa:
«Amanhã nunca mais ninguém me acordará.»
«Amanhã nunca mais ninguém me acordará.»
Como se chama ao lugar onde dormem as palavras por estrear?
Um «Verbário»?
É para lá que eu vou."
Voo Lisboa-Natal, 28 de Abril de 2010
Final de Milagrário Pessoal de José Eduardo Agualusa, D. Quixote, 2ª edição, 2010
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
E vivam as PALAVRAS!
"As palavras como os seres vivos, nascem de vocábulos anteriores, desenvolvem-se e fatalmente morrem. As mais afortunadas reproduzem-se. Há-as de índole agreste, cuja simples presença fere e degrada, e outras que de tão amoráveis tudo à sua volta suavizam. Estas iluminam, aquelas confundem. Umas são selvagens, irascíveis, cheiram mal dos pés, fungam e cospem no chão. Outras, logo ao lado, parecem altivas e delicadas orquídeas." in Milagrário Pessoal de José Eduardo Agualusaquarta-feira, 1 de setembro de 2010
Chovem amores na rua do Matador.
" ...os sonhos são mapas que nos ajudam a orientar na vida. Aqueles que não sabem ler os sonhos, esses, sim, estão perdidos...” Ermelinda Feitinha (mãe).
Uma das frases que compõe o monólogo de uma das quatro personagens femininas - Mariana Chubichuba; Judite Malimali e Ermelinda Feitinha (mãe e filha) - cujos textos foram escritos por José Eduardo Agualusa. Mia Couto escreveu o monólogo da personagem masculina, Baltazar Fortuna.
Para Mia Couto o texto “mais do que produzido a duas mãos, foi feito a duas almas. Combinámos, logo de início: eu farei de homem, tu farás de mulher. E fomos, sem falar, acertando que a peça falaria de amores e morte. Não são estes os únicos motivos da literatura?”.
E é desta união da escrita a dois que surge o texto Chovem amores na rua do Matador que foi representada pelos actores José Rosa e Sandra Santos, do Trigo Limpo, Teatro ACERT. Gostaria aqui de destacar a representação primorosa da actriz que desempenhou os quatro papéis femininos.
A não perder, num "palco" por esse mundo, onde se fala português.
Para Mia Couto o texto “mais do que produzido a duas mãos, foi feito a duas almas. Combinámos, logo de início: eu farei de homem, tu farás de mulher. E fomos, sem falar, acertando que a peça falaria de amores e morte. Não são estes os únicos motivos da literatura?”.
E é desta união da escrita a dois que surge o texto Chovem amores na rua do Matador que foi representada pelos actores José Rosa e Sandra Santos, do Trigo Limpo, Teatro ACERT. Gostaria aqui de destacar a representação primorosa da actriz que desempenhou os quatro papéis femininos.
A não perder, num "palco" por esse mundo, onde se fala português.
Também gostaria de destacar os belíssimos textos escritos por José Eduardo Agualusa para as suas personagens. Reconheci nestes monólogos a beleza única e inconfundível como este autor escolhe e utiliza as palavras da nossa língua.
Eu sei que sou suspeita! José Eduardo Agualusa é de uma forma ou de outra uma presença habitual em As Estações do Ano, ocupando, assim um lugar privilegiado, neste blogue.
Não percam a oportunidade de conhecer a sua escrita!
Não percam a oportunidade de conhecer a sua escrita!
Nota: para completar a informação sobre Chovem amores na rua do Matador devem seguir os links, título incluído
segunda-feira, 17 de maio de 2010
O voo do Golfinho de Ondjaki e Danuta
Certo dia estava o mar muito liso
dei um salto enorme
e nesse momento
vi o meu corpo espelhado na água.
O meu bico parecia o bico de um pássaro.
Também o meu corpo.
Também o meu olhar.
Voltei a mergulhar e senti uma grande alegria.
Também o meu olhar.
Voltei a mergulhar e senti uma grande alegria.
A alegria era uma coisa bonita
que sentia o meu coração.
Era bonita porque me fazia voar.
Eu tinha um corpo diferente!
fiz adeus aos golfinhos
e fui brincar perto das nuvens.
Lá encontrei muitos pássaros diferentes.
Lá encontrei muitos pássaros diferentes.
(Texto com supressões)
Texto de Ondjaki, ilustração de Danuta Wojciechowska, edição apcc
sexta-feira, 5 de março de 2010
PARAR para LER
E, na nossa aula de LP, parámos para ler. O Ricardo já tinha escolhido o conto O pai que se tornou mãe, e convidou a Catarina para ler com ele. Então, ouçam!
"Toda a gente sabe que são as mães que trazem os filhos dentro da barriga. Os bebés formam-se no ventre das mães, crescem, e depois saltam cá para fora - para a luz.
O que pouca gente sabe é que há uma excepção. Existe uma espécie animal em que é o pai que cria os filhos dentro da barriga e é ele que os entrega à luz: o cavalo-marinho. Como é que isto aconteceu? É essa a história que hoje vos quero contar: uma incrível história de amor. O fim talvez seja um pouco triste. Mas é sempre assim: as histórias de amor só são felizes quando não as contamos até ao fim.
Há muito, muito tempo, no tempo em que os Homens ainda não falavam, nesse tempo vivia no mar um casal de cavalos-marinhos. O mar, para eles, era um imenso jardim. Naquele tempo estava tudo no princípio, todas as coisas eram novas e brilhavam. Mário e Maria gostavam de passear, de descobrir animais estranhos, paisagens perdidas, outros mares.
(...)
Uma manhã Maria acordou doente. Tinha perdido o brilho. Ela que sempre tivera uma cor tão bonita, estava a ficar baça e transparente. Sentia-se muito leve, sentia que alguma coisa se apagava lentamente dentro dela. (..) À medida que as horas passavam Maria tornava-se menos existente -- desaparecia.
- Não me deixes- pediu-lhe Mário - Ainda temos tanta coisa a descobrir.
Maria ficou com pena. Não podia deixá-lo tão sozinho. Com as poucas forças que lhe restavam encostou-se a ele.
- Vou dar-te os nossos filhos - disse- quando eles nascerem mostra-lhes o mar.
Disse isto num suspiro e desapareceu. Durante os primeiros dias, sozinho, Mário sentiu-se perdido. O mar deixara de ser um jardim: achava-o agora grande, escuro e perigoso.
(...)
Então, numa manhã de muito sol, com o mar todo iluminado, Mário viu que a sua barriga se abria,e viu saltarem lá de dentro dezenas de pequeninos cavalos-marinhos. Eram os seus filhos.
Talvez há pouco me tenha enganado. Parece-me agora que esta história tem um final feliz. Porque decidi que ela acaba aqui, num nascimento, e porque a partir daquela manhã de sol, passou a existir um pai que dá à luz."*
Os alunos, no final, bateram palmas e eu adorei ouvi-los.
Ilustrações de Henrique Cayatte
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
"Estórias para adormecer anjos"
O Caçador de Borboletas
In Estranhões e Bizarrocos de José Eduardo Agualusa (texto com supressões)
"Vladimir recebeu muitas prendas de Natal, entre livros, discos, jogos de computador, mas gostou sobretudo do equipamento para caçar borboletas. O equipamento incluía uma rede, um frasco de vidro, algodão, éter, uma caixa de madeira com fundo de cortiça, e muitos alfinetes coloridos.
Nessa mesma tarde saiu para caçar borboletas.
Lançou a rede e viu a borboleta soltar-se da flor num voo curto e depois debater-se , já presa, nas malhas de nylon. Passou-a para o frasco e ficou um longo momento a olhar para ela.
- Agora és minha - disse-lhe -, toda a tua beleza me pertence.
- Isso não é possível- era a borboleta que falava.- Há certas coisas que não se podem guardar. Por exemplo, não podes guardar a luz do luar, ou a brisa perfumada de um pomar de macieiras. Não podes guardar as estrelas dentro de uma caixa. No entanto podes coleccionar estrelas. Escolhe uma quando a noite chegar. Será tua. Mas deixa-a guardada na noite. É ali o lugar dela.
Vladimir começava a achar que a borboleta tinha razão.
- Se eu te libertar agora - perguntou -, tu serás minha?
A borboleta fechou e abriu as asas iluminado o frasco com uma luz de todas as cores.
- Já sou tua - disse -, e tu já és meu. Sabes? Eu colecciono caçador de borboletas.
Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha feito uma boacaçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:
- Muito boa - disse - Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo."
Vladimir começava a achar que a borboleta tinha razão.
- Se eu te libertar agora - perguntou -, tu serás minha?
A borboleta fechou e abriu as asas iluminado o frasco com uma luz de todas as cores.
- Já sou tua - disse -, e tu já és meu. Sabes? Eu colecciono caçador de borboletas.
Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha feito uma boacaçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:
- Muito boa - disse - Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo."
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