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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Enquanto for só ternura de VERÃO ... Enquanto!



Um Caso Mais

Enquanto foi só um bom momento deu
Enquanto foi só um pensamento meu
Deus, deu só num caso forte a mais.

Enquanto se achava graça ao que se escondeu
E a horas eram mais longas do que a verdade
Fez p'ra ser só outro caso mais.
Enquanto for só ternura de Verão
Eu vou,
Enquanto a excitação der para um carinho
Eu dou.
Traz
Uma leveza

Ah, mas concerteza
Eu dou
Um outro melhor bom dia.

Já trocámos nortadas por vento sul
Enquanto demos risadas foi-se o azul
Nem sei qual deles foi azul demais.

Mas não ficará só a sensação de cor
Nem sei o que o coração irá dizer de cor
Se o Inverno for, depois, duro demais.

Trovante

domingo, 20 de abril de 2014

Coincidência por Pedro Lamares

Especialmente para quem gosta de passar por aqui.



Poemas de Maria Teresa Horta, António Ramos Rosa, Sophia de Mello Breyner, Emanuel Félix, Mário Cesariny e Alberto Caeiro.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mai Fali e | Sete Lágrimas




Mai Fali e (canção tradicional de Timor)

mai fali e, fila fali e. mama bolu ita fali e.
mai fali e, fila fali e. mama bolu ita fali e.

loron atu tun ona fulan atu sae ona. mama bolu ita fali e
loron atu tun ona fulan atu sae ona. mama bolu ita fali e

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Beleza e fantasia.

Inicio este ano de 2012 com a referência a um filme de animação - Spirit - a marcar uma década de inúmeras visualizações deste género cinematográfico, em que a beleza e a fantasia são reis. 


Spirit de Kelly Asbury e Lorna Cook, 2002. Banda sonora da autoria de Brian Adams.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sem título | Bar Desporto | Almada Velha

                               desenho de Rui Fernandes, s/ título, Bar Desporto, Almada Velha, 1983



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Momentos mágicos.

Porque há momentos que não queremos esquecer, não posso deixar de referir esta música, que nos companhou nalgumas viagens pela IP3 e cujas interpretações exímias tornaram as nossas passeatas, indubitavelmente, mais frescas e animadas.



"Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira, sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".

Letra: Carlos Paião

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Para quem acredita em anjos.

Em As Estações do Ano, os contos de José Eduardo Agualusa, Estranhões & Bizarrocos, (excertos mais ou menos longos)  podem encontrar-se em momentosmágicos, deste blogue. São "estórias para adormecer anjos"...

O sonhador

"O pequeno Carlos estava um pouco assustado com aquilo mas sabia que nos sonhos tudo pode acontecer e por isso não disse nada. O pai, o pai do seu sonho, levou-o depois até uma praia imensa, em cujas dunas cresciam grandes abóboras douradas.
- Olha bem para elas - disse-lhe o pai. - Repara no tamanho e na textura. Estão enormes, brilhantes e redondas. Estão maduras. Daqui a pouco vão nascer os anjos.

Sentaram-se os dois na areia da praia. O pequeno Carlos pousou a cabeça no peito do pai. O sol estava  quase a desaparecer no mar. A luz tinha-se tornado subitamente mais macia. Então a abóbora à frente deles começou a palpitar, ouviu-se um choro fraco, ela rompeu-se e lá de dentro saltou um bebé com asas.

Espantado, o pequeno Carlos, viu o bebé esticar  as asas húmidas, olhar para eles com os seus intensos olhos azuis - e voar. As outras abóboras, por toda a praia, estalavam, abriam-se e em pouco tempo o céu estava coberto de bebés-anjos, que riam e brincavam uns com os outros.

O pai abraçou-o:
- É por isso que nós chamamos ao poente a hora dos anjos - disse-lhe.- Agora podes dormir."

Outros contos: O pai que se tornou mãe  e  O caçador de borboletas .

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tereza Salgueiro e Pedro Jóia

"Quando seguimos sozinhos, vamos abrindo caminhos onde às vezes cabem dois"

sexta-feira, 18 de junho de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

PARAR para LER

E, na nossa aula de LP, parámos para ler. O Ricardo já tinha escolhido o conto O pai que se tornou mãe, e convidou a Catarina para ler com ele. Então, ouçam!

"Toda a gente sabe que são as mães que trazem os filhos dentro da barriga. Os bebés formam-se no ventre das mães, crescem, e depois saltam cá para fora - para a luz.
O que pouca gente sabe é que há uma excepção. Existe uma espécie animal em que é o pai que cria os filhos dentro da barriga e é ele que os entrega à luz: o cavalo-marinho. Como é que isto aconteceu? É essa a história que hoje vos quero contar: uma incrível história de amor. O fim talvez seja um pouco triste. Mas é sempre assim: as histórias de amor só são felizes quando não as contamos até ao fim.
Há muito, muito tempo, no tempo em que os Homens ainda não falavam, nesse tempo vivia no mar um casal de cavalos-marinhos. O mar, para eles, era um imenso jardim. Naquele tempo estava tudo no princípio, todas as coisas eram novas e brilhavam. Mário e Maria gostavam de passear, de descobrir animais estranhos, paisagens perdidas, outros mares.
(...)
Uma manhã Maria acordou doente. Tinha perdido o brilho. Ela que sempre tivera uma cor tão bonita, estava a ficar baça e transparente. Sentia-se muito leve, sentia que alguma coisa se apagava lentamente dentro dela. (..) À medida que as horas passavam Maria tornava-se menos existente -- desaparecia.
- Não me deixes- pediu-lhe Mário - Ainda temos tanta coisa a descobrir.
Maria ficou com pena. Não podia deixá-lo tão sozinho. Com as poucas forças que lhe restavam encostou-se a ele.
- Vou dar-te os nossos filhos - disse- quando eles nascerem mostra-lhes o mar.
Disse isto num suspiro e desapareceu. Durante os primeiros dias, sozinho, Mário sentiu-se perdido. O mar deixara de ser um jardim: achava-o agora grande, escuro e perigoso.
(...)
Então, numa manhã de muito sol, com o mar todo iluminado, Mário viu que a sua barriga se abria,e viu saltarem lá de dentro dezenas de pequeninos cavalos-marinhos. Eram os seus filhos.
Talvez há pouco me tenha enganado. Parece-me agora que esta história tem um final feliz. Porque decidi que ela acaba aqui, num nascimento, e porque a partir daquela manhã de sol, passou a existir um pai que dá à luz."*

Os alunos, no final, bateram palmas e eu adorei ouvi-los.

*in Estranhões e Bizarrocos de José Eduardo Agualusa (texto com supressões)
 Ilustrações de Henrique Cayatte

domingo, 21 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Estórias para adormecer anjos"

O Caçador de Borboletas

"Vladimir recebeu muitas prendas de Natal, entre livros, discos, jogos de computador, mas gostou sobretudo do equipamento para caçar borboletas. O equipamento incluía uma rede, um frasco de vidro, algodão, éter, uma caixa de madeira com fundo de cortiça, e muitos alfinetes coloridos.
Nessa mesma tarde saiu para caçar borboletas.
Lançou a rede e viu a borboleta soltar-se da flor num voo curto e depois debater-se , já presa, nas malhas de nylon. Passou-a para o frasco e ficou um longo momento a olhar para ela.
- Agora és minha - disse-lhe -, toda a tua beleza me pertence.
- Isso não é possível- era a borboleta que falava.- Há certas coisas que não se podem guardar. Por exemplo, não podes guardar a luz do luar, ou a brisa perfumada de um pomar de macieiras. Não podes guardar as estrelas dentro de uma caixa. No entanto podes coleccionar estrelas. Escolhe uma quando a noite chegar. Será tua. Mas deixa-a guardada na noite. É ali o lugar dela.
Vladimir começava a achar que a borboleta tinha razão.
- Se eu te libertar agora - perguntou -, tu serás minha?
A borboleta fechou e abriu as asas iluminado o frasco com uma luz de todas as cores.
- Já sou tua - disse -, e tu já és meu. Sabes? Eu colecciono caçador de borboletas.
Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha feito uma boacaçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:
- Muito boa - disse - Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo."

In Estranhões e Bizarrocos de José Eduardo Agualusa (texto com supressões)