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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Júlio Resende e Elisa Rodrigues | Dá-me Lume




Dá-me lume 

Chegaste com três vinténs
E o ar de quem não tem
Muito mais a perder
O vinho não era bom,
A banda não tinha tom,
Mas tu fizeste a noite apetecer.
Mandaste a minha solidão embora,
Iluminaste o pavilhão da aurora,
Com o teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar.

Eu fiquei louco por ti,
Logo rejuvenesci,
Não podia falhar!
Dispondo a meu favor
Da eloquência do amor
Ali mesmo à mão de semear
Mostrei-te a origem do bem e o reverso,
Provei-te que o que conta no universo
É esse passo inseguro e o paraíso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
Deixa o teu fogo envolver-me, até a música acabar
Dá-me lume, não deixes o frio entrar
Faz os teus braços fechar-me as asas há tanto tempo a acenar

Eu tinha o espírito aberto
Ás vezes andei perto
Da essência do amor
Porém no meio dos colchões
No meio dos trambolhões
A situação era cada vez pior
Tu despertaste em mim um ser mais leve
E eu sei que essencialmente isso se deve
A esse passo inseguro e ao paraíso no teu olhar

Se eu fosse compositor
Compunha em teu louvor
Um hino triunfal
Se eu fosse crítico de arte
Havia de declarar-te
Obra prima à escala mundial
Mas eu não passo de um homem vulgar
Que teve a sorte de saborear
Esse teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar

poema de Jorge Palma

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Branca Aurora | Cristina Branco e Jorge Palma

Branca Aurora (ouvir aqui )

A Branca Aurora perdeu o cartão de cidadão
Nunca teve passaporte e não sabe bem a idade
Gosta de sentir o chão a afagar-lhe as plantas dos pés
A Branca Aurora perdeu o cartão de cidadão

A Branca Aurora deu cabo do espelho retrovisor
Acredita que o passado nunca teve grande futuro
E que o futuro está bem mais distante de tudo o que era dantes
A Branca Aurora deu cabo do espelho retrovisor

E se ela dança
Todos os passos em redor são seus
Quando ela balança
Salta do vocabulário a palavra adeus

A Branca Aurora é um manancial de inspiração
Goza com a própria sorte e não tem medo do destino
Se alguém lhe oferece um cocktail ela pede um molotov
A Branca Aurora é um manancial de inspiração

E se ela dança
Todos os passos em redor são seus
Quando ela balança
Salta do vocabulário a palavra adeus

A Branca Aurora não vive no reino das ilusões
Quando vai ao mercado chega sempre fora de horas
Tira sempre partido daquilo que os outros deitam fora
A Branca Aurora não vive no reino das ilusões

Branca Aurora do álbum Alegria de Cristina Branco. Poema de Jorge Palma.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Só por existir ...






Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar

Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
Chamei casa a esse lugar

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não tem chão
E as mãos perdem a razão

Só por enfrentar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
Deixo o tempo decidir

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
E sei que nenhuma vai ganhar

de Jorge Palma

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ela sorriu, ele sorriu ...



Trocaram o primeiro olhar numa manhã de Verão,
quando a cidade se agitava em plena confusão.
Ela sorriu, ele sorriu e tudo foi tão natural
que eles não perderam mais tempo e arrancaram em direcção ao Sol.

Ah! quando a gente lá chegar
a coisa vai ter outra dimensão.

Treparam por degraus de espuma e mergulharam na luz.
Gotas de orvalho vieram brincar sobre os dois corpos nus.
O tempo parrou, a guerra acabou e o mundo era um grande jardim
onde se ouvia uma estranha sinfonia sem princípio nem fim.

Ah! quando a gente lá chegar
a coisa vai ter outra dimensão.

A pouco e pouco a terra voltou de novo a girar
e o tic-tac do relógio não tardou a soar.
Ela sorriu, ele sorriu e tudo foi tão natural
que eles nem disseram adeus quando a noite chegou para os separar.


Quando a gente lá chegar, Jorge Palma

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quem és tu de novo?



Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?

Quando o teu cheiro me leva às esquinas do vislumbre
E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta
Quem sou eu para negar que a tua presença me arrasta?
Quem és tu, na imensidão do deslumbre?

As redes são passageiras, as arquiteturas da fuga
De toda a água que corre, de todo o vento que passa
Quando uma teia se rasga ergo à lua a minha taça
E vejo nascer no espelho mais uma ruga

Quando o teto se escancara e se confunde com a lua
A apontar-me o caminho melhor do que qualquer estrela
Ninguém me faz duvidar que foste sempre a mais bela
Por favor, diz-me que és alguém, de novo?

Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?

Jorge Palma

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Jorge Palma em Estrela do Mar.

"Não sei se era maior o desejo ou o espanto,
 só sei que por instantes deixei de pensar
uma chama invisível incendiou-me o peito
qualquer coisa impossível fez-me acreditar."



"Em silêncio trocámos segredos e abraços
inscrevemos no espaço um novo alfabeto
já passaram mil anos sobre o nosso encontro
mas mil anos são pouco ou nada para a estrela do mar."