sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Le temps qui reste | Serge Reggiani
Le temps qui reste
(...)
Combien de temps ...
Combien de temps encore?
Des années, des jours, des heures, combien ?
Je m'en fous mon amour...
Quand l'orchestre s'arrêtera, je danserai encore...
Quand les avions ne voleront plus, je volerai tout seul...
Quand le temps s'arrêtera..
Je t'aimerai encore
Je ne sais pas où, je ne sais pas comment...
Mais je t'aimerai encore...
D'accord ?
poéme de Jean Loup Dabadie
Tempo, tempo, tempo, compositor de destinos | Maria Bethânia
Morro ontem, nasço amanhã, ando onde há espaço. O meu tempo é quando ...
Oração ao Tempo de Caetano Veloso, 1979
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
L' Aigle Noir | Patricia Kaas
L'Aigle Noir
Un beau jour, ou peut-être une nuit,
Près d'un lac je m'étais endormie,
Quand soudain, semblant crever le ciel,
Et venant de nulle part,
Surgit un aigle noir,
Lentement, les ailes déployées,
Lentement, je le vis tournoyer,
Près de moi, dans un bruissement d'ailes,
Comme tombé du ciel,
L'oiseau vint se poser
Il avait les yeux couleur rubis,
Et des plumes couleur de la nuit,
A son front brillant de mille feux,
L'oiseau roi couronné,
Portait un diamant bleu,
De son bec il a touché ma joue,
Dans ma main il a glissé son cou,
C'est alors que je l'ai reconnu,
Surgissant du passé,
Il m'était revenu,
Dis l'oiseau, ô dis, emmène-moi,
Retournons au pays d'autrefois,
Comme avant, dans mes rêves d'enfant,
Pour cueillir en tremblant,
Des étoiles, des étoiles,
Comme avant, dans mes rêves d' enfant
Comme avant, sur un nuage blanc,Comme avant, allumer le soleil,
Etre faiseur de pluie,
Et faire des merveilles,
L'aigle noir dans un bruissement d'ailes,
Prit son vol pour regagner le ciel,
Quatre plumes couleur de la nuit
Une larme ou peut-être un rubis
J'avais froid, il ne me restait rien
L'oiseau m'avait laissée
Seule avec mon chagrin
Un beau jour, ou peut-être une nuit,
Près d'un lac, je m'étais endormie,
Quand soudain, semblant crever le ciel,
Et venant de nulle part,
Surgit un aigle noir,
Un beau jour, une nuit,
Près d'un lac, endormie,
Quand soudain,
Il venait de nulle part,
Il surgit, l'aigle noir..
sábado, 15 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Inquietação, Inquietação ...
Há sempre alguma coisa que está para acontecer.
poema de José Mário Branco
domingo, 9 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
BY THE POWER OF GRAYSKULL !!!
Interpretado por Nena, Os Azeitonas, em Nos desenhos animados.
A minha vida não dá um filme mas, se fosse o caso, eu escolheria, sem dúvida, um filme de desenhos animados. Por todos os motivos ...
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Um balanço é mesmo balançar, balançar até dar balanço ...
Em jeito de balanço, aqui fica, para vós que, por aqui passam, e param nesta estação, onde eu partilho sentimentos, paixões, música, poesia, ... Balançar!!
São sempre muito bem vindos em As Estações do Ano, há quatro anos nestas paragens (http://hivert.blogspot.pt).
Desfrutem ... se for caso disso, claro!
Sara Oliveira
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Dizer que sim à vida por Luanda Cozetti | Ary dos Santos
Dizer que sim à vida
Dizer que não à morte
Dizer na despedida
Que o tempo é o mais forte
Dizer que não à morte
Dizer na despedida
Que o tempo é o mais forte
Dizer que sim à vida
Dizer que não à morte
Jogar na despedida
A carta que é a sorte
Dizer que não à morte
Jogar na despedida
A carta que é a sorte
Dizer a toda a gente
Que o amor de repente
Entrou no nosso jogo
Dizer a toda a gente
Que o nosso corpo é quente
A nossa boca ardente
E a nossa alma fogo...
Que o amor de repente
Entrou no nosso jogo
Dizer a toda a gente
Que o nosso corpo é quente
A nossa boca ardente
E a nossa alma fogo...
E se não for verdade
Tudo o que nós dizemos
Tudo o que nós sentimos
Também não é saudade
Tudo o que nós dizemos
Tudo o que nós sentimos
Também não é saudade
Dizer que sim à vida de Ary dos Santos
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Cada história é um retalho cortado no coração ... | Ary dos Santos
Retalhos por Luanda Cozetti
Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento
Retalhos fundos no rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
que talha as caras fechadas
O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a água que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste
E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade
Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
De vidas em sofrimento
Retalhos fundos no rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
que talha as caras fechadas
O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a água que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste
E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade
Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina
Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não se cura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura
Cada história é um retalho
Os barões da medicina
Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não se cura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a água que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a água que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste
Retalhos de Ary dos Santos
domingo, 19 de janeiro de 2014
Coração recente | Eugénio de Andrade
Eras tu? Era o dia
acabado de nascer?
Que rosa abria? Rosa
ou ardor? Não seria
só desejo de ser
um travo de alegria
um fulgor? Um fluir?
Eras tu? Era o dia?
acabado de nascer?
Que rosa abria? Rosa
ou ardor? Não seria
só desejo de ser
um travo de alegria
um fulgor? Um fluir?
Eras tu? Era o dia?
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
(In)quietude e (in)constância.
.jpg)
De onde se veem as estrelas e a lua, s/d
" Liberdade: condição de um ser não sujeito ao constrangimento de limites físicos ou de pensamento. A possibilidade de correr sem tropeçar em muros ou paredes, ou sem cair no vazio. O destino de todos os perfumes, em particular do cheiro de terra molhada".
em A Vida no Céu de José Eduardo Agualusa (brevíssimo dicionário filosófico do mundo flutuante para uso de nefelibatas amadores.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
A Vida no Céu | José Eduardo Agualusa
A Vida no Céu, um romance para jovens e outros sonhadores de José Eduardo Agualusa, no qual se inclui um brevíssimo dicionário do mundo flutuante para uso de nefelibatas amadores.
Viagem: todo o movimento de uma aproximação a outra. Movimentos de fuga não são viagens.
Magia: chama-se magia à forma como o sonho interfere com a realidade, modificando-a. O céu foi sempre um território propenso à magia. (...)
Luz: o que fica dos sonhos depois que nos atravessam.
Liberdade: condição de um ser não sujeito ao constrangimento de limites físicos ou de pensamento. A possibilidade de correr sem tropeçar em muros ou paredes, ou sem cair no vazio. O destino de todos os perfumes, em particular do cheiro de terra molhada.
A Vida no Céu editado pela Quetzal, 2013
"Os meus olhos viajam mais do que as minhas pernas. O meu pensamento mais do que os meus olhos. Sentei-me no convés, contemplando o laborioso espetáculo do vento esculpindo nuvens, criando, a cada instante, novas figuras.
Aquilo sempre me fascinou. Os papagaios voavam entre os dois balões, gritando uns com os outros na sua língua misteriosa. Enquanto observava as nuvens, ia listando os mistérios com que, nas últimas semanas, o destino me brindara."
Céu: todo o território onde a vida é mais leve do que o ar. (...) O lugar para onde ascendem os sonhos.Viagem: todo o movimento de uma aproximação a outra. Movimentos de fuga não são viagens.
Magia: chama-se magia à forma como o sonho interfere com a realidade, modificando-a. O céu foi sempre um território propenso à magia. (...)
Luz: o que fica dos sonhos depois que nos atravessam.
Liberdade: condição de um ser não sujeito ao constrangimento de limites físicos ou de pensamento. A possibilidade de correr sem tropeçar em muros ou paredes, ou sem cair no vazio. O destino de todos os perfumes, em particular do cheiro de terra molhada.
A Vida no Céu editado pela Quetzal, 2013
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
E por vezes as noites duram meses | David Mourão Ferreira
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanosE por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.
David Mourão Ferreira
René Magritte | The Lovers
About his paintings Magritte wrote “they evoke mystery and, indeed, when one sees one of my pictures, one asks oneself this simple question, ‘What does it mean?’ It does not mean anything, because mystery means nothing either, it is unknowable.”
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Nunca são as coisas mais simples que aparecem ...
Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.
Nuno Júdice
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.
Nuno Júdice
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
ITHACA de C.P. Cavafy dito por Sean Connery
ITHACA
As you set out for Ithaca
hope that your journey is a long one,
full of adventure, full of discovery.
Laistrygonians and Cyclops,
angry Poseidon - do not be afraid of them:
you'll never find things like that on your way
as long as you keep your thoughts raised high,
as long as a rare sensation
touches your spirit and your body.
Laistrygonians and Cyclops,
wild Poseidon - you won't encounter them
unless you bring them along inside your soul,
unless your soul sets them up in front of you.
Hope that your journey is a long one.
May there be many summer mornings when,
with what pleasure, what joy,
you come into harbors seen for the first time;
may you stop at Phoenician trading stations
to buy fine things,
mother of pearl and coral, amber and ebony,
sensual perfume of every kind -
as many sensual perfumes as you can;
and may you visit many Egyptian cities
to learn and learn again from those who know.
Keep Ithaca always in your mind.
Arriving there is what you're destined for.
But do not hurry the journey at all.
Better if it lasts for years,
so that you're old by the time you reach the island,
wealthy with all you have gained on the way,
not expecting Ithaca to make you rich.
Ithaca gave you the marvelous journey.
Without her you would not have set out.
She has nothing left to give you now.
And if you find her poor, Ithaca won't have fooled you.
Wise as you will have become, so full of experience,
you will have understood by then what these Ithacas mean.
C.P. Cavafy
Arriving there is what you're destined for.
But do not hurry the journey at all.
Better if it lasts for years,
so that you're old by the time you reach the island,
wealthy with all you have gained on the way,
not expecting Ithaca to make you rich.
Ithaca gave you the marvelous journey.
Without her you would not have set out.
She has nothing left to give you now.
And if you find her poor, Ithaca won't have fooled you.
Wise as you will have become, so full of experience,
you will have understood by then what these Ithacas mean.
C.P. Cavafy
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Inquietação: há sempre qualquer coisa que está para acontecer
A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas
Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda
Inquietação de José Mário Branco | A NAIFA
sábado, 21 de dezembro de 2013
Inverno: Sputnik, meu Amor
A leitura de Sputnik meu Amor foi interrompida pelo outono. Poucos romances me entusiasmam, infelizmente! Comecei a lê-lo na aldeia de Minas de São Domingos, onde o verão é mais quente e as férias convidam a este prazer, entre um banho na tapada e uma sesta. Hoje, dia em que começa o inverno e as noites são longas e frias, retomo a sua leitura.
"O gelo é frio e as rosas são vermelhas. Estou apaixonada. E este amor vai arrastar-me para longe. A corrente é demasiado forte, não tenho escolha possível. Mas já não posso voltar atrás. Só posso deixar-me ir com a maré. Mesmo que comece a arder, mesmo que desapareça para sempre." Lê-se na contracapa da 3ª edição da Casa das Letras.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Fora de tempo | Luisa Sobral
Fora de tempo
Fora de tempo pôs-se o sol
e a lua fora de tempo também
fora de tempo nasceram dois
filhos da mesma mãe
Fora de tempo brotaram da terra
flores e espinhos também
fora de tempo ficaram longe
mais longe do que convém
Fora de tempo o que era quente
gelou até matar tudo
se um cantava no silêncio
fora de tempo ouviu-se um grito mudo
O tempo também se engana
nas casas onde mora
o mau tempo que faz dentro
nem sempre é tão bom de fora
Fora de tempo o que era água
teimou em ser areal
fora de tempo já se notava
que um vê bem e o outro mal
Fora de tempo tudo voltou
ao tempo que era atrás
e dentro do tempo um partiu mais cedo
e o outro ficou para amar
Letra de Luis Represas
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Solo sé que no sé nada | Rodrigo Leão e Daniel Melingo
No sé nada
Querido amigo, yo no sé, nada
No sé nada, de nada
Yo sé que hoy, no pueden pedirme nada
Porque hoy, es el gran día
El día de la Paz, y la Felicidad
Solo sé que no sé nada
Corazón batiendo fuerte
Sentimiento de viajen
Solo sé que no sé nada
Tierra bendita, tierra linda!
Mi corazón está ay, donde debe estar
Batiendo fuerte en el pecho
Llegará mi cuerpo, llegará mi cuerpo
Después mi alma, pero sabiendo solo una cosa
Que nada Sé
Mi querido camarada, le envío un gran saludo
Recordando solo una cosa. Ya la sabe, no?
Solo sé que no sé nada
Corazón batiendo fuerte
Sentimiento de viajen
Solo sé que no sé nada
Música de Rodrigo Leão e letra de Daniel Melingo
Às vezes o amor | Márcia
Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P´la porta da frente
E fica a porta escancarada
Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas
P´ra te ter
P´ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino
Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Da morte volta sempre em vida
poema de Sérgio Godinho
sábado, 7 de dezembro de 2013
A canção do tempo | Ary dos Santos
A canção do tempo
Para um tempo que fica
Doendo por dentro
E passa por fora
Para o tempo do vento
Que é o contratempo
Da nossa demora
Passam dias e noites
Os meses...os anos
O segundo e a hora
E ao tempo presente
É que a gente pergunta
E agora...e agora
Tempo
Para pensar cada momento deste tempo
Que cada dia é mais profundo e é mais tempo
Para emendar pois outro tempo menos lento
Tempo
Dos nossos filhos aprenderem com mais tempo
A rapidez que apanha sempre o pensamento
Para nascer, para viver, para existir
E nunca mais verem o tempo fugir
Ai...o tempo constante
Que a cada instante
Nos passa por fora
Este tempo candente
Que é como um cometa
Com laivos de aurora
É o tempo de hoje
É o tempo de ontem
É o tempo de outrora
Mas o tempo da gente
É o tempo presente
É agora...é agora
Tempo
Para agarrar cada momento deste tempo
E terminar em absoluto ao mesmo tempo
Em temporal como os ponteiros do minuto
Tempo
Para o relógio bater certo com a vida
Que um homem bom que um homem são que um homem forte
Que não chegava a conseguir fazer partida
E que desperta adiantado para a morte
Ary dos Santos
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Madiba | I am the master of my fate: / I am the captain of my soul
Invictus por Morgan Freeman
Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley
O meu lado esquerdo é mais forte do que o outro | CLÃ
O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração
O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
Clã
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
O caçador de borboletas | José Eduardo Agualusa
"(...)
- Agora és minha - disse-lhe -, toda a tua beleza me pertence.
- Isso não é possível- era a borboleta que falava.- Sabes como surgiram as borboletas? Foi há muito, muito tempo, na Índia. Vivia então ali um homem sábio e bom, chamado Buda ...
Vladimir esfregou os olhos:
- Meu Deus, estou a sonhar?
A borboleta riu-se:
- Isso não tem importância. Ouve a minha história. Buda, o tal homem sábio e bom, achou que faltava alegria ao ar. Então colheu uma mão cheia de flores e lançou-as ao vento e disse: voem! E foi assim que surgiram as primeiras borboletas. A beleza das borboletas é para ser vista no ar, entendes? É uma beleza para ser voada.
- Não! - disse Vladimir abanando a cabeça. - Eu sou um caçador de borboletas. As borboletas nascem, voam e morrem, e se não forem os colecionadores, como eu, desaparecem para sempre.
A borboleta riu-se de novo (um riso calmo, como um regato correndo ...)
- Estás enganado. Há certas coisas que não se podem guardar. Por exemplo, não podes guardar a luz do luar, ou a brisa perfumada de um pomar de macieiras. Não podes guardar as estrelas dentro de uma caixa. No entanto podes colecionar estrelas. Escolhe uma quando a noite chegar. Será tua. Mas deixa-a guardada na noite. É ali o lugar dela.
Vladimir começava a achar que a borboleta tinha razão.
- Se eu te libertar agora - perguntou -, tu serás minha?
A borboleta fechou e abriu as asas iluminado o frasco com uma luz de todas as cores.
- Já sou tua - disse -, e tu já és meu. Sabes? Eu coleciono caçadores de borboletas.
Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha feito uma boa caçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:
- Muito boa - disse - Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo."
in Estranhões & Bizarrocos (estórias para adormecer anjos) de José Eduardo Agualusa. Ilustrado por Henrique Cayatte.
sábado, 30 de novembro de 2013
domingo, 24 de novembro de 2013
Toca-me, sem uma palavra / só a tua pele, e a tua alma | UHF
A banda da margem sul*, UHF, festeja este ano 35 anos de existência, os quais eu fui distraidamente acompanhando. Proponho-vos esta bonita canção, para ouvirem atentamente!
* margem sul: de onde se vê a lua.
Toca-me
Toca-me, sem uma palavra
só a tua pele, e a tua alma
Toca-me, o tempo vai
movendo a luz, do meu olhar
Toca-me, que tenho medo
pode o amor, guardar segredo
Toca-me, nesta penumbra
depois de ti, a noite dura
Toca-me, meu amor
Toca-me, sem uma palavra
só a tua pele, e a tua alma
Toca-me, meu amor
de António Manuel Ribeiro
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Fotografia de Madrid | José Luis Peixoto
Madrid regressará sempre. São precisos anos
para aprender aquilo que apenas acontece com
a distância de anos. É por isso que posso afirmar
que Madrid regressará sempre. Não sei que tipo
de entendimento encontrámos. Eu e Madrid não
nos conhecemos bem. Sabemos o essencial e
inventamos tudo o resto. Tanto a minha vida,
como a vida de Madrid, já tiveram muitas formas.
No entanto, quando nos encontramos, somos
sempre o mesmo nome. Avaliamo-nos por
cicatrizes e pequenas marcas de idade.
Não estabelecemos metas, estamos cansados.
Eu e Madrid só queremos uma cama, mas,
se não houver, contentamo-nos com o chão e,
se não houver, contentamo-nos com um abraço.
para aprender aquilo que apenas acontece com
a distância de anos. É por isso que posso afirmar
que Madrid regressará sempre. Não sei que tipo
de entendimento encontrámos. Eu e Madrid não
nos conhecemos bem. Sabemos o essencial e
inventamos tudo o resto. Tanto a minha vida,
como a vida de Madrid, já tiveram muitas formas.
No entanto, quando nos encontramos, somos
sempre o mesmo nome. Avaliamo-nos por
cicatrizes e pequenas marcas de idade.
Não estabelecemos metas, estamos cansados.
Eu e Madrid só queremos uma cama, mas,
se não houver, contentamo-nos com o chão e,
se não houver, contentamo-nos com um abraço.
José Luis Peixoto, Fotografia de cidades
terça-feira, 19 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Enquanto dura esta hora, este luar, esta paz ... | Ricardo Reis
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
Ricardo Reis
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
Ricardo Reis
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Ternura de David Mourão Ferreira | Luis Cília
Desvio dos teus ombros o lençol
Que é feito de ternura amarrotada
Da frescura que vem depois do sol
Quando depois do sol não vem mais nada.
Olho a roupa no chão - que tempestade
Há restos de ternura pelo meio
Como vultos perdidos na cidade
Onde uma tempestade sobreveio.
Começas a vestir-te lentamente
E é ternura também que vou vestindo
Para enfrentar lá fora aquela gente
Que da nossa ternura anda sorrindo.
Mas ninguém sabe a pressa com que nós
A despimos assim que estamos sós.
David Mourão Ferreira
Que é feito de ternura amarrotada
Da frescura que vem depois do sol
Quando depois do sol não vem mais nada.
Olho a roupa no chão - que tempestade
Há restos de ternura pelo meio
Como vultos perdidos na cidade
Onde uma tempestade sobreveio.
Começas a vestir-te lentamente
E é ternura também que vou vestindo
Para enfrentar lá fora aquela gente
Que da nossa ternura anda sorrindo.
Mas ninguém sabe a pressa com que nós
A despimos assim que estamos sós.
David Mourão Ferreira
O que tenho para te dar? Nada, e tudo. | Nuno Júdice
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O que tenho para te dar? Uma gramática de sentimentos,
verbos sem o complemento de uma vida, os substantivos
mais pobres de um vocabulário íntimo — o amor, o desejo,
a ausência. Que frase construiremos com tão pouco? A
que léxico da paciência iremos roubar o que nos falta?
Então, ofereço-te uma outra casa. As paredes têm a
consistência do verso; o teto, o peso de uma estrofe.
Abro-te as suas portas; e o sol entra pela janela de
uma sílaba, com o seu logo vocálico, como se uma
palavra pudesse aquecer o frio que te envolve.
E pergunto-te: que outras palavras queres? A música
sonora de um ócio? O espesso manto com que o veludo
se escreve? O fundo luminoso do azul? Poderia dar-te
todas as palavras na caixa do poema; ou emprestar-te
o canto efémero em que se escondem do mundo.
Mas não é isso que me pedes. E a vida que pulsa
por entre advérbios e adjectivos esfuma-se depressa,
quando procuramos seguir a linha do verso, O que fica?,
perguntas-me. Um encontro no canto da memória. Risos,
lágrimas, o terno murmúrio da noite. Nada, e tudo.
Nuno Júdice, in "O Estado dos Campos"
O que tenho para te dar? Uma gramática de sentimentos,
verbos sem o complemento de uma vida, os substantivos
mais pobres de um vocabulário íntimo — o amor, o desejo,
a ausência. Que frase construiremos com tão pouco? A
que léxico da paciência iremos roubar o que nos falta?
Então, ofereço-te uma outra casa. As paredes têm a
consistência do verso; o teto, o peso de uma estrofe.
Abro-te as suas portas; e o sol entra pela janela de
uma sílaba, com o seu logo vocálico, como se uma
palavra pudesse aquecer o frio que te envolve.
E pergunto-te: que outras palavras queres? A música
sonora de um ócio? O espesso manto com que o veludo
se escreve? O fundo luminoso do azul? Poderia dar-te
todas as palavras na caixa do poema; ou emprestar-te
o canto efémero em que se escondem do mundo.
Mas não é isso que me pedes. E a vida que pulsa
por entre advérbios e adjectivos esfuma-se depressa,
quando procuramos seguir a linha do verso, O que fica?,
perguntas-me. Um encontro no canto da memória. Risos,
lágrimas, o terno murmúrio da noite. Nada, e tudo.
Nuno Júdice, in "O Estado dos Campos"
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
domingo, 10 de novembro de 2013
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