E no dia em se comemorou o dia Mundial do Teatro, a Ala dos Namorados apresentou o seu disco FELICIDADE, no Teatro Aberto. Nuno Guerreiro e Ana Bacalhau cantaram e encantaram. Ouvir aqui! Momentos mágicos!
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O que mais me custa
Talvez
seja isto a solidão
este nó no coração
apertado com saudade
Talvez
seja isto o abandono
como as folhas do outono
que se espalham na cidade
Talvez
seja só isto que sobra
quando o tempo vem e cobra
a alegria que nos deu
Talvez
seja só isto que resta
quando nada já nos resta
quando tudo já doeu
O que mais custa é não saber de ti
Não saber se me esqueceste
Não saber se me perdeste
não saber se te perdi
Talvez
se eu voltasse a ser brinquedo
eu matasse este medo
de já não servir ninguém
Talvez
se eu voltasse à tua mão
se acabasse a escuridão
e eu visse mais além
Talvez
seja isto que magoa
ver que o tempo não perdoa
e que o teu amor passou
Talvez
seja assim que tudo acaba
pode ser que talvez nada
nos avise que acabou
o que mais custa é não saber de ti
Não saber se me esqueceste
Não saber se me perdeste
não saber se te perdi
poema de José Fialho de Almeida
música de Manuel Paulo
sábado, 28 de março de 2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
Dia Mundial do Teatro | Ode Marítima interpretada por Diogo Infante
Ode Marítima de Álvaro de Campos
Direção cénica: Natália Luiza
Música de João Gil
Nova e moderna estupidez | Mixórdia de temáticas
E, neste inverno interminável, o que me desgosta, desanima e entristece?! Estas novas e modernas formas de estupidez e não só, claro! Magnífico!
quarta-feira, 25 de março de 2015
domingo, 22 de março de 2015
Luis Cilia e Lia Gama dizem 'Segredo'
SEGREDO
Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
Maria Teresa Horta
sexta-feira, 20 de março de 2015
Carmina Burana: Veris Leta Facies
E no dia em que a primavera começa, ouçamos Veris leta facies / A alegre face da primavera, Carmina Burana.
mundo propinatur,
hiemalis acies
victa iam fugatur,
in vestitu vario
Flora principatur,
nemorum dulcisono
que cantu celebratur. Ah!
Flore fusus gremio
Phebus novo more
risum dat, hac vario
iam stipate flore.
Zephyrus nectareo
spirans in odore.
Certatim pro bravio
curramus in amore. Ah!
Cytharizat cantico
dulcis Philomena,
flore rident vario
prata iam serena,
salit cetus avium
silve per amena,
chorus promit virgin
iam gaudia millena. Ah!
Certatim pro bravio
curramus in amore. Ah!
Cytharizat cantico
dulcis Philomena,
flore rident vario
prata iam serena,
salit cetus avium
silve per amena,
chorus promit virgin
iam gaudia millena. Ah!
Veris leta facies | Carmina Burana
domingo, 15 de março de 2015
sábado, 14 de março de 2015
Falemos sobre o amor ...
Quando conhecemos alguém novo e empolgante, este invade as nossas sinapses como um vírus e estímulos neuroquímicos que alimentam a atração, a excitação e a obsessão. Ficamos distraídos! Pensamos nessa pessoa constantemente.
Mas não pensamos apenas nela. Construímos um modelo interno, uma simulação que nos ajudará a prever como sentirá, pensará.
Claro que as relações têm problemas quando a simulação choca com a realidade. O que levanta uma questão: apaixonamo-nos de facto por uma pessoa ou pela nossa ideia de quem é?"
Daniel Pierce em Perception
domingo, 15 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
O meu lado esquerdo é mais forte do que o outro | CLÃ
O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração
O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não
Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo
Clã
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Seja o que for que sirva para iluminar | Abrunhosa 2011
Mais do que as datas que nunca se esquecem está alguém que me animou e alegrou, apaixonou e aconchegou, ao longo destes outonos, invernos, primaveras, verões, ...
Abrunhosa 2011
Abrunhosa 2011
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Maria Gadú e Marco Rodrigues | Valsa
Valsa
Tua alegoria já não abre alas
Pra toda poesia que insiste em bater
Nos tambores surdos da porta que cerras
Pra chorar sozinha por tanto querer
Teu amadorismo impõe tal carência
Não sou da cadência, não sou de valor
Você é rara, no mundo
Só dance essa valsinha se preciso for
Eu tento trair, não me cabe a culpa
Abra logo a tua porta
Minha vã certeza vai te embargar
Sigo distraída, a tal impureza
Mas é carnaval de novo, você se dissolve
E a saudade aumenta
Não precisa o amor
Não precisa o abraço, não te cobre o laço
Que não cobre o som
Teu grito arde, invade, a casa
E as palavras calam no meu coração
Pra toda poesia que insiste em bater
Nos tambores surdos da porta que cerras
Pra chorar sozinha por tanto querer
Teu amadorismo impõe tal carência
Não sou da cadência, não sou de valor
Você é rara, no mundo
Só dance essa valsinha se preciso for
Eu tento trair, não me cabe a culpa
Abra logo a tua porta
Minha vã certeza vai te embargar
Sigo distraída, a tal impureza
Mas é carnaval de novo, você se dissolve
E a saudade aumenta
Não precisa o amor
Não precisa o abraço, não te cobre o laço
Que não cobre o som
Teu grito arde, invade, a casa
E as palavras calam no meu coração
O destino que se cumpriu, de sentir seu calor e ser tudo ...
Amor de Índio
Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo cuidado, meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com o arco da promessa
Do azul pintado pra durar
Abelha fazendo mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for e ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser tudo
domingo, 18 de janeiro de 2015
Que nunca caiam as pontes entre nós | Coliseu 2011
E
Pontes entre nós
Eu tenho o tempo,
Tu tens o chão,
Tens as palavras
Entre a luz e a escuridão.
Eu tenho a noite,
E tu tens a dor,
Tens o silêncio
Que por dentro sei de cor.
E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.
Eu tenho o medo,
Tu tens a paz,
Tens a loucura que a manhã ainda te traz.
Eu tenho a terra,
Tu tens as mãos,
Tens o desejo que bata em nós um coração.
E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.
Pedro Abrunhosa
Pontes entre nós
Eu tenho o tempo,
Tu tens o chão,
Tens as palavras
Entre a luz e a escuridão.
Eu tenho a noite,
E tu tens a dor,
Tens o silêncio
Que por dentro sei de cor.
E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.
Eu tenho o medo,
Tu tens a paz,
Tens a loucura que a manhã ainda te traz.
Eu tenho a terra,
Tu tens as mãos,
Tens o desejo que bata em nós um coração.
E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.
Pedro Abrunhosa
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Fotografia de Madrid de José Luís Peixoto
FOTOGRAFIA DE MADRID
Madrid regressará sempre. São precisos anos
para aprender aquilo que apenas acontece com
a distância de anos. É por isso que posso afirmar
que Madrid regressará sempre. Não sei que tipo
de entendimento encontrámos. Eu e Madrid não
nos conhecemos bem. Sabemos o essencial e
inventamos tudo o resto. Tanto a minha vida,
como a vida de Madrid, já tiveram muitas formas.
No entanto, quando nos encontramos, somos
sempre o mesmo nome. Avaliamo-nos por
cicatrizes e pequenas marcas de idade.
Não estabelecemos metas, estamos cansados.
Eu e Madrid só queremos uma cama, mas,
se não houver, contentamo-nos com o chão e,
se não houver, contentamo-nos com um abraço.
de José Luís Peixoto em Gaveta de Papéis (edições Quasi)
Madrid regressará sempre. São precisos anos
para aprender aquilo que apenas acontece com
a distância de anos. É por isso que posso afirmar
que Madrid regressará sempre. Não sei que tipo
de entendimento encontrámos. Eu e Madrid não
nos conhecemos bem. Sabemos o essencial e
inventamos tudo o resto. Tanto a minha vida,
como a vida de Madrid, já tiveram muitas formas.
No entanto, quando nos encontramos, somos
sempre o mesmo nome. Avaliamo-nos por
cicatrizes e pequenas marcas de idade.
Não estabelecemos metas, estamos cansados.
Eu e Madrid só queremos uma cama, mas,
se não houver, contentamo-nos com o chão e,
se não houver, contentamo-nos com um abraço.
de José Luís Peixoto em Gaveta de Papéis (edições Quasi)
domingo, 21 de dezembro de 2014
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Declaração Universal dos Direitos Humanos | Imagine de John Lennon
Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
Artigo 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Imagine all people living live in peace ...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Tardes da minha terra, doce encanto | Florbela Espanca
Tardes da minha terra, doce encanto,
Tardes duma pureza de açucenas,
tardes de sonho, as tardes de novenas,
Tardes de Portugal, as tardes de anto,
Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!
Horas benditas, leves como penas,
Horas de fumo e cinza, horas serenas,
Minhas horas de dor em qu eu sou santo!
Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar ...
E a minha boca tem uns beijos mudos ...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar ...
Florbela Espanca
Tardes duma pureza de açucenas,
tardes de sonho, as tardes de novenas,
Tardes de Portugal, as tardes de anto,
Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!
Horas benditas, leves como penas,
Horas de fumo e cinza, horas serenas,
Minhas horas de dor em qu eu sou santo!
Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar ...
E a minha boca tem uns beijos mudos ...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar ...
Florbela Espanca
sábado, 8 de novembro de 2014
Ouçamos (atentamente) Pedro Lamares!
Jorge Sousa Braga, Alexandre O' Neill, Ruy Belo, Mário Henrique Leiria, Ana Luisa Amaral e Ricardo Reis.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Verão: dias de lua cheia.
E mesmo mesmo no final do verão ... O que me animou e refrescou!? Nesta época estival inusitadamente refrescante, animaram-me os dias de lua cheia! Sem esquecer as pessoas que, na minha vida, me proporcionam momentos únicos!
domingo, 21 de setembro de 2014
Amor em tempo de cólera
da banda sonora do filme Amor em tempo de cólera. Pienso en Ti de António Pinto. Shakira.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
sábado, 16 de agosto de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Demorate a ti en la luz mayor de este mediodía | Mercedes Sosa
Las simples cosas
Uno se despide
Insensiblemente de pequeñas cosas.
Lo mismo que un árbol
Que en tiempo de otoño se queda sin hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas
Esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.
Uno vuelve siempre a los viejos sitios donde amo la vida
Y entonces comprende como estan de ausentes las cosas queridas.
Por eso muchacha no partas ahora soñando el regreso
Que el amor es simple y a las cosas simples las debora el tiempo.
Demorate a ti, en la luz solar de este medio día
Donde encontraras con el pan al sol la mesa tendida.
Por eso muchacha no partas ahora soñando el regreso
Que el amor es simple y a las cosas simples las debora el tiempo.
Uno vuelve siempre a los viejos sitios donde amo la vida...
Armando Tejada Gómez y César Isella.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
"Carpe diem! Make your lives extraordinary."
Keating - We don't read and write poetry because it's cute. We read and write poetry because we are members of the human race. And the human race is filled with passion. And medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love, these are what we stay alive for. To quote from Whitman, "O me! O life!... of the questions of these recurring; of the endless trains of the faithless... of cities filled with the foolish; what good amid these, O me, O life?" Answer. That you are here - that life exists, and identity; that the powerful play goes on and you may contribute a verse. That the powerful play *goes on* and you may contribute a verse. What will your verse be?
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
quarta-feira, 23 de julho de 2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
segunda-feira, 14 de julho de 2014
terça-feira, 8 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Jorge Nice | Sou Visigodo
Porque todo este blogue é, essencialmente, sobre os afetos ...
J
Jorge Nice em Sou Visigodo
J
Jorge Nice em Sou Visigodo
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Que estranha forma de vida | Caetano Veloso
Que estranha forma de vida de Amália Rodrigues (poema) e de Alfredo Marceneiro (música).
A poesia não é filmável e não adianta persegui-la | JCM
Sophia de Mello Breyner de João César Monteiro, 1969
Sophia, Bethânia e Tom Jobim
Terror de te amar num sítio tao frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeiçao
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 30 de junho de 2014
The heart asks pleasure first | Michael Nyman
da banda sonora do filme "O Piano" de Jane Campion, 1993
domingo, 22 de junho de 2014
Meryl Streep diz Rylke | You, darkness
You, darkness, that I come from
I love you more than all the fires
that fence in the world,
for the fire makes a circle of light for everyone
and then no one outside learns of you.
But the darkness pulls in everything-
shapes and fires, animals and myself,
how easily it gathers them!
- powers and people-
and it is possible a great energy is moving near me.
I have faith in nights.
Rainer Maria Rilke
sábado, 21 de junho de 2014
VERÃO
Hoje é o dia em que o sol nos faz companhia durante mais tempo.
E, nesta estação estival, aproveitemos a luz e o calor que dele emanam ...
Fonte da Telha
sexta-feira, 13 de junho de 2014
O que me animou e apaixonou nesta primavera?
E nesta primavera em que o sol intercalou com a chuva e o frio com o calor, a música ajudou a aquecer as noites ainda frias, em que a animação e a paixão se uniram para tornar esta primavera a continuação dos invernos e verões que se vão seguindo uns aos outros.
Primaveras? Uma forma de medir o tempo, a vida, os sentimentos ...
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Marcha de Santo António | Cuca Roseta
Marcha de Santo António
Verde e encarnado de luz a brilhar
É uma estrela num arco enfeitado
No céu de Lisboa, na marcha a passar
Letra de Norberto Araújo e música de Raúl Ferrão
quarta-feira, 11 de junho de 2014
조제 루이스 페이쇼투 dito por 낭송: 김한민
Na hora de pôr a mesa éramos cinco de José Luis Peixoto
시: 조제 루이스 페이쇼투 Poema de José Luís Peixoto, 번역: 강구 traduzido por Byung Goo Kang,
낭송: 김한민 diseur, Hanmin Kim.
terça-feira, 10 de junho de 2014
A Minha Pátria é a Língua Portuguesa | Fernando Pessoa
"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida. (...)
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio...» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.
Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.»
em O Livro do Desassossego de Bernardo Soares
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