sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Voltar a Almada é sempre bom.

OUTONO

"Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.
Não há nome para a tua ausência. Há um muro
Que os meus olhos derrubam. É OUTONO.
A pouco e pouco despem-se as palavras."

Poema de Joaquim Pessoa  Outono (excerto)

Encontrei este poema na Agenda Almada de outubro de 2011 que me veio parar às mãos, porque um amigo pegou nela  e, sem saber o que lhe fazer, deu-ma.


Companhia de Dança de Almada

Existem sempre bons motivos que me levam a ir até Almada. O aspeto cultural é um deles. E este mês de outubro está cheio de ótimas propostas. Festeja-se o mês da música, a quinzena da dança e a Festa do Cinema Francês, organizada pelo Institut Français de Portugal.  Entre muitas e variadas escolhas, destaco o filme Un poison violent, de Katell Quillévéré, 2010.


Mas o melhor, mesmo, é consultar a agenda e ir a Almada, por este motivo ou por outro.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pessoa e Bethânia: um deus e um poeta.



Maria Bethânia diz Alberto Caeiro Guardador de rebanhos VIII  (excertos) e  canta Doce mistério da vida.

"A mim, ele me ensinou tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as cores que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas."

Alberto Caeiro

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Reciclar dicionários e gramáticas de língua portuguesa.

O acordo ortográfico trouxe algumas alterações às nossas vidas. Lembremos algumas delas:

- o alfabeto passa a ter 26 letras. As três novas letras são o K (capa ou cá), W (dáblio, dâblio ou duplo v) e o Y (ipsilon ou i grego);
 - todas as consoantes que não se pronunciam não se escrevem, regra já há muito tempo aplicada, nos bancos da escola e não só;
 - creem, veem, leem ...não têm acento gráfico, assim como boia, jiboia, heroico e outras que tais. Afinal comboio e dezoito já não tinham. Para quê discriminações?!

desenho de Ruth Rosengarten em Tempus Fugit

Eu, por mim, ainda faria outras. Por exemplo, os cês no meio das palavras. Por que razão não têm todos cedilha? Por que razão uns têm e outros não? É apenas mais uma regra ortográfica para complicar a vida de quem tem que escrever. Levavam todos cedilha e prontos!

E os acentos? Uns para cá, outros para lá? Mas para quê? Aqui está outra coisa que o A.O. também deveria ter alterado. Todos os acentos para o mesmo lado que assim já ninguém se confundia.

E as regras gramaticais que, ao fim destes anos todos, também sofreram alterações!

                        
                                                  desenho de Ruth Rosengarten em  Tempus Fugit

A propósito de dicionários e gramáticas que precisam de ser reciclados, gostaria de partilhar com quem passa por aqui, por acaso ou não, estes desenhos de Ruth Rosengarten que ao utilizar esta velha gramática como suporte  lhe deu um novo interesse e uma nova vida. Bom exemplo!

sábado, 1 de outubro de 2011

Dia Mundial da Música: TELA.



Tela - Santos e Pecadores (banda sonora do filme Contraluz  de Fernando Fragata).

Espero que gostem! De qualquer forma, estão convidados a ouvir as músicas destas estações. Qualquer uma poderia estar aqui a celebrar este dia.

O que nos refresca neste outono.

E neste verão que se prolongou pelo outono, ou neste outono que teima em ser verão, continuamos a ir à praia, à das barracas e dos toldos às riscas verdes e brancas, agora, desmontados, apanhar sol, molharmo-nos e dar um mergulho, sempre a pensar, quando será o último ... Talvez, por isso, nos saiba tão bem!


Foto de José Branco de Carvalho

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Harmonia, equilíbrio, beleza e magia: VIDA!



Cirque du Soleil - Alegría Song by Francesca Gagnon.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Outono e aconchego.

Apesar de eu ter querido prolongar o verão, o outono chegou com um sol morno, mas suficiente para nos aconchegar e acalentar, nos dias que vão ficando cada dia mais pequenos, mais frescos e menos ensolarados.

Ainda é tempo de ir à praia, agora, quase deserta e arriscar um mergulho (o último?!). Acabar de ler o livro, que ficou a meio, porque, no verão, o sol está muito forte e a vontade de fazer alguma coisa é quase nula. Iniciar um outro, cuja leitura se prolongará até ao inverno ...

(Usu)fruir das esplanadas de onde se vê o rio, o mar e a serra, a qualquer hora do dia, porque o calor já não aperta e "flâner" no lusco-fusco do final de tarde são as lembranças que eu guardo de outros outonos.

Em As estações do ano, o outono está relacionado com aconchego, que é uma das palavras bonitas do nosso vocabulário, não só pelo(s) seu(s) significado(s) como pela sua sonoridade, à semelhança das outras que acompanham este blogue animar, alegrar, refrescar, apaixonar, aquecer e confortar. Enfim, palavras amoráveis!



De volta pró aconchego

sábado, 24 de setembro de 2011

É lá que eu vou sentir o vento e provar, a tempo, todos os frutos de cada estação.



A estrada da montanha

Nessa estrada que vai à montanha
Há uma casa pequena
Onde um dia eu hei-de ir morar

Encanta e vale a pena
Ver a montanha serena contra o azul profundo do mar

É lá,
É lá que eu vou sentir o vento
E posso provar a tempo todos os frutos de cada estação

Nessa estrada que vai à montanha,
Lá na casa branca,
Já deixei o meu coração

- Ai é, Ai é,
- Pois é, eu também quero ir nessa estrada, qual é?

- Ai é, Ai é,
- Pois é, eu também quero ir aí!

Autor: Pedro Ayres de Magalhães

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Poesia: novas linguagens.



A mix of stop motion, rotoscope animation and video, illustrating the poem The Boys. Winner of the 2010 Poetry in Film competition.

Written and spoken by Francesca Eva Ashcroft.
Directed and animated by Tom McPhee.
Music by the Album Leaf.

Fonte: O Cheiro dos Livros

sábado, 17 de setembro de 2011

Momentos mágicos.

Porque há momentos que não queremos esquecer, não posso deixar de referir esta música, que nos companhou nalgumas viagens pela IP3 e cujas interpretações exímias tornaram as nossas passeatas, indubitavelmente, mais frescas e animadas.



"Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira, sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".

Letra: Carlos Paião

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O que nos alegrou e refrescou neste verão.

"30 (de Setembro) Já arrumei a mochila e atestei o Land-Rover. Esta madrugada arranco até Jajouka.»    [até Jajouka, Monte Alto / Mortágua, Maio / Setembro de 2006] de Fallorca publicado em O cheiro dos livros (blogue).

Assim termina este texto da autoria de Fallorca. Viagem, partida, descoberta e encontro são as palavras que eu escolhi para o meu VERÂO. Associadas a elas estão os livros, principalmente aqueles que sabem ao cheiro do café; a música (sempre presente); o sol que me aqueceu; o mar que me refrescou e, essencialmente, as pessoas que me acompanharam este verão e que comigo partilharam esses momentos.

E a vós? O que vos alegrou e refrescou neste verão?


Jajouka fica para sul. Quem sabe se não é para lá que me dirijo?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Des choses ... des histoires ... des paroles ... des légendes ...

"Des choses, de l'or, des salauds, des histoires, des paroles, des légendes (...)"* : c'est du cinéma!

Godard lembra-me Bertolucci, os irmãos Taviani e outros que, por sua vez,  me fazem lembrar os ciclos de cinema que passavam na Academia, nos anos 80, e que me ensinaram a gostar desta forma de arte.



* Socialisme de Jean Luc Godard, 2010

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Feiras, festas e verão.

Às feiras e festas nunca se falta, principalmente, às cá da terra e arredores. Comer umas bifanas no "Séninho"(e dizer-lhe um olá!), passar pelas farturas da "Luisinha", andar no carrossel, e andar, simplesmente, pela feira, onde as pessoas se cruzam e entrecruzam, várias vezes, durante a mesma noite, quebram a rotina dos dias de verão desta cidade. Quinze dias de animação.

Hoje foi o último dia. Ontem ouvimos os CLÃ.

EMBEIÇADOS: uma verdadeira canção estival.



Ela tem boca torta, nariz grande, cabelo mal cortado, rói as unhas, usa cunhas,
mas eu estou apaixonado.
Ele tem espinhas, sardas, pontos negros, e uma boca exagerada,
desafina e desatina, mas eu estou apaixonada.
Ela é ciumenta, rabugenta, embirrenta e tagarela, intriguista e moralista
mas eu estou louco por ela.
Ele faz cenas gagas, altas fitas, não tem confiança em mim,
faz-se caro, faz-me trombas, mas eu gosto dele assim.
(...)

Embeiçados in Disco Voador dos Clã.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Wise man said just walk this way ...



"Wise man said just walk this way
To the dawn of the light
Wind will blow into your face
As the years pass you by
Hear this voice from deep inside
It's the call of your heart
Close your eyes and you will find
Passage out of the dark

Here I am
Will you send me an angel
Here I am
In the land of the morning star"   Scorpions

E depois de ouvir os Scorpions passem por  O Cheiro dos Livros, aquele onde os livros sabem a café, e ouçam Pink Floyd.  

domingo, 10 de julho de 2011

L' ABSURDE: un tout petit exemple

        

 LA CANTATRICE CHAUVE (extrait)  De Eugene Ionesco (1950)

Mme et M. Smith, Mme et M. Martin, Mary (la bonne), Le Capitaine des pompiers

SCÈNE l
Intérieur bourgeois anglais, avec des fauteuils anglais. Soirée anglaise. M. Smith, Anglais, dans son fauteuil et ses pantoufles anglais, fume sa pipe anglaise et lit un iournal anglais, près d'un feu anglais. Il a des lunettes anglaises, une petite moustache grise, anglaise. A côté de lui, dans un autre fauteuil anglais, Mme Smith, Anglaise, raccommode des chaussettes anglaises. Un long moment de silence anglais. La pendule anglaise frappe dix-sept coups anglais.

Mme SMITH: Tiens, il est neuf heures. Nous avons mangé de la soupe, du poisson, des pommes de terre au lard, de la salade anglaise. Les enfants ont bu de l'eau anglaise. Nous avons bien mangé, ce soir. C'est parce que nous habitons dans les environs de Londres et que notre nom est Smith.

M. SMITH, continuant sa lecture, fait claquer sa langue.

Mme SMITH: Les pommes de terre sont très bonnes avec le lard. L’huile de la salade n'était pas rance. L'huile de l'épicier du coin est de bien meilleure qualité que l'huile de l'épicier d'en face, elle est même meilleure que l'huile de l'épicier du bas de la côte. Mais je ne veux pas dire que leur huile à eux soit mauvaise.

M. SMITH, continuant sa lecture, tait claquer sa langue.

Mme SMITH: Pourtant, c'est toujours l'huile de l'épicier du coin qui est la meilleure...

M. SMITH, continuant sa lecture, fait claquer sa langue.

Mme SMITH: Mary a bien cuit les pommes de terre, cette fois-ci. La dernière fois elle ne les avait pas bien fait cuire. Je ne les aime que lorsqu'elles sont bien cuites.

M. SMITH, continuant sa lecture, tait claquer sa langue.

Mme SMITH: Le poisson était frais. Je m'en suis léché les babines. j'en ai pris deux fois. Non, trois fois. Ça me fait aller aux cabinets. Toi aussi tu en as pris trois fois. Cependant la troisième fois, tu en as pris moins que les deux premières fois, tandis que moi j'en ai pris beaucoup plus. j'ai mieux mangé que toi, ce soir. Comment ça se fait? D'habitude, c'est toi qui manges le plus. Ce n'est pas l'appétit qui te manque.

M. SMITH, fait claquer sa langue.

Mme SMITH: Cependant, la soupe était peut-être un peu trop salée. Elle avait plus de sel que toi. Ah, ah, ah. Elle avait aussi trop de poireaux et pas assez d'oignons. Je regrette de ne pas avoir conseillé à Mary d'y ajouter un peu d'anis étoilé. La prochaine fois, je saurai m'y prendre.

M. SMITH, continuant sa lecture, fait claquer sa langue.

Mme SMITH : Notre petit garçon aurait bien voulu boire de la bière, il aimera s'en mettre plein la lampe, il te ressemble. Tu as vu à table, comme il visait la bouteille? Mais moi, j'ai versé dans son verre de l'eau de la carafe. Il avait soif et il l'a bue. Hélène me ressemble: elle est bonne ménagère, économe, elle joue du piano. Elle ne demande jamais à boire de la bière anglaise. C'est comme notre petite fille qui ne boit que du lait et ne mange que de la bouillie. Ça se voit qu'elle n'a que deux ans. Elle s'appelle Peggy. La tarte aux coings et aux haricots a été formidable. On aurait bien fait peut-être de prendre, au dessert, un petit verre de vin de Bourgogne australien mais je n'ai pas apporté le vin à table afin de ne pas donner aux enfants une mauvaise preuve de gourmandise. Il faut leur apprendre à être sobre et mesuré dans la vie."

sábado, 9 de julho de 2011

Balada para un Loco.



"¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Como un acróbata demente saltaré,
sobre el abismo de tu escote hasta sentir
que enloquecí tu corazón de libertad...
¡Ya vas a ver!"

Letra de Horacio Ferrer Música de Astor Piazzolla Compuesto en 1969

terça-feira, 28 de junho de 2011

PALCO DO TEMPO

 



















PALCO DO TEMPO | Banda sonora do filme Pilar e José de Miguel Gonçalves

É o palco do tempo
sem tempo a mais
são voltas às voltas
por querer sempre mais

É um verso atrás
Um degrau que não viu
São curvas as rectas
Num final não vazio

É o palco do tempo
Sobre o tempo a mais
São voltas à espera
que não vivam demais."

Autoria: Noiserv


terça-feira, 21 de junho de 2011

As Estações do Ano: Assunção Esteves

A política nunca foi tema neste blogue, pelo facto de ser um assunto que não me anima, não me alegra nem me apaixona. No entanto, hoje, dia em que começa o verão, houve um acontecimento que eu não posso deixar de referir: o discurso de Assunção Esteves na sua tomada de posse como presidente do parlamento. Refrescante, no mínimo!

"Presidir ao Parlamento constitui a maior honra da minha vida", disse Assunção Esteves aos deputados, "porque o Parlamento é a liberdade que se fez instituição, consequência da razão moderna, do pensamento das luzes, da coragem dos justos."

"Somos nós o cais da esperança que num domingo de junho saiu de casa para nos escolher e da esperança que não saiu, que é dos cidadãos que lá bem no fundo esperam para se reconciliar com a política."
"Que orgulho e que responsabilidade a nossa! Ou decidimos melhorar o mundo ou teremos que perguntar como se dorme o nosso sono."
"São tantos os projetos, as expetativas, as inquietações que connosco se sentam e que exigem de nós que cultivemos com os domínios da vida das pessoas concretas formas de comunicação contínua muito para além do tempo das eleições e do espaço dos partidos. Verdadeiramente, o que se nos exige é a reinvenção da democracia."

“Dedico este meu momento de alegria a todas as mulheres, às mulheres políticas que trazem para o espaço público o valor da entrega e a matriz do amor, mas sobretudo às mulheres anónimas e oprimidas”.

Discurso de Assunção Esteves na tomada  de posse como Presidente do Parlamento, em 21 de Julho de 2011 (excertos).

Porque ninguém pode morrer sem dizer tudo



"-Yo tengo ideas para novelas, ella tiene ideias para la vida y yo no sé qué és lo más importante." Saramago

Saramago e Pilar: amor e cumplicidade.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Breathe | The Cinematic Orchestra

Breathe do álbum Ma Fleur 

Ma Fleur

Oh, that song is singing
Singing in to me
Over everything
I used to be

Oh, that song is singing
Singing into me



Slow and sweet
It carries me
Carries me
Out to sea

And swallows me
Into the deep
And comforts me

Oh that weight is lifting
Lifting on me
It carries me
Out to the sea
And swallows me

Into the deep
And comforts me
And comforts me
In, into the deep
And comforts me

Breathe up to me
Breathe up into me
Breathe out through me
Breathe into me
Oh breathe out through
Through me
Why don't you breathe in
Breathe into me
And breathe out
Through me

Para ouvir têm que passar por  O Cheiro dos Livros  de Fallorca, onde "de uma maneira geral, os livros sabem ao cheiro do café." Sam Savage

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Silêncio dos Livros por miguel.



                                                 Anders Wallace

O Silêncio dos Livros  é um blogue que tem uma forma muito peculiar de nos mostrar os livros ...
 A visitar! Vão gostar de certeza.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fesival de Cannes 2011: Palme d' Or

A LOST SOUL IN A MODERN WORLD



The Tree of Life de Terence MALICK. Banda sonora da autoria de Alexandre Desplat.
Estreia 28 de maio.

domingo, 22 de maio de 2011

ESCRITA E SENTIMENTOS: complexos e indecifráveis.


A linguística é uma das minhas áreas de interesse. Recentemente descobri a existência de a Escrita do Sudoeste, o mais antigo sistema de escrita até agora conhecido em toda a península e terá, segundo os especialistas, entre 2500 a 2800 anos.

As inscrições conhecidas foram maioritariamente achadas nas áreas mais acidentadas entre o Alentejo e Algarve. Os glifos do alfabeto da Escrita do Sudoeste são claramente derivados de escritas fenícias. O sistema teria basicamente 27 signos, o número que se regista num monumento aparecido em Espanca (Castro Verde, Beja).

Sem contar com as variantes de algumas letras, conhecem-se hoje cerca de 40 glifos diferentes. O que é que nos transmitem? Não sabemos! Apesar de a sua leitura ser, hoje, parcialmente, possível, a escrita do sudoeste foi considerada «complexa» e «indecifrável».

A  Escrita do Sudoeste: aqui e aqui. 

Complexos e indecifráveis são, também, os sentimentos que nos invadem os sentidos e a alma. Palavras, teorias e definições estão à nossa disposição para os explicar. Não me interesso por arqueologia. Talvez, por isso, tenha desistido de os tentar decifrar.

GLIFO vem da palavra grega que significa inscrição. Qualquer sulco ou traço gravado na ornamentação arquitetónica.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Capuchinho Vermelho XXX

"Uma experiência de animação de objectos numa desconcertante adaptação à cena do Capuchinho Vermelho. Rigorosamente para adultos com sólida formação moral".  FIMFA



João Rolo

É assim que o "Capuchinho Vermelho XXX" nos é apresentado pelo FIMFA. E como eu me incluo neste grupo, adultos com sólida formação moral, não perdi a oportunidade, (porque a curiosidade era muita!!!), de me deslocar, mais uma vez, à capela do Museu da Marioneta, para assistir a um momento INSÓLITO e SURPREENDENTE.

Bernard Choppet escreve sobre este Capuchinho " E tudo se embala, sobre esta mesa, ao ritmo da música dos discos que ele muda constantemente naquele gira-discos ... O pequeno burocrata passa para a velocidade superior, numa espécie de vertigem visual na qual pensamos reconhecer Tex Avery ou Chaplin, numa cena de amor hard enquanto o danado do gira-discos debita o Je t' Aime de Jane Birkin. É o delírio ... Este pequeno burocrata genial chama-se João Paulo Cardoso."

Capuchinho Vermelho foi criado em 89 por João Paulo Cardoso. Agora, podemos vê-lo numa nova versão, interpretada por João Rolo - Teatro de Marionetas do Porto.

Imperdível! Mas não se esqueça ...só para adultos com sólida formação moral!

domingo, 15 de maio de 2011

LE VENT NOUS PORTERA por SOPHIE HUNGER



"Je n'ai pas peur de la route ..."      Le Vent Nous Portera, do álbum "Des Visages des Figures" da autoria de Désir Noir.

sábado, 14 de maio de 2011

"nous allons Loin, oh trés loin de ma frayeur ..."


"Traversées est un spectacle déambulatoire conçu comme une suite de tableaux, des fragments d’existence liés par des textes tirés de Seuils de Patrick Kermann. À travers l’obscurité, Élise Vigneron guide les spectateurs, leur ouvre le passage des portes, se métamorphose et anime chaque monde. Postée sur le seuil, à la frontière entre deux mondes, traversée par ces apparitions, elle tente de faire un avec son image, de saisir un instant d’unification pour s’ouvrir à la perception de l’être là…"  in 80 AgendaCulturel.fr





FIMFALx11 estreou-se com Traversées, Théâtre de l' Entrouvert, na capela do Museu da Marioneta, um espaço onde, habitualmente, o invulgar, delicado e mágico se juntam para nos surpreender. Mais uma vez, uma noite de magia.

" SMILED WITH THE RISIN' SUN" - Bob Marley

















Don't worry about a thing,
'Cause every little thing gonna be all right.
Singin': "Don't worry about a thing,
'Cause every little thing gonna be all right!"

Rise up this mornin',
Smiled with the risin' sun,
Three little birds
Pitch by my doorstep
Singin' sweet songs

Of melodies pure and true,
Sayin', ("This is my message to you-ou-ou:")
Singin': "Don't worry 'bout a thing,
Cause every little thing gonna be all right."
Singin': "Don't worry (don't worry) 'bout a thing,
Cause every little thing gonna be all right!"

Rise up this mornin',
Smiled with the risin' sun,
Three little birds
Pitch by my doorstep
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true,
Sayin', "This is my message to you-ou-ou:"

Bob Marley

segunda-feira, 9 de maio de 2011

FIMFA: o grande palco das marionetas!

"El títere nació el premier amanecer, cuando el premier hombre vio por primera vez su propia sombra y descubrió que él y al mismo y al mismo tiempo no era él. Por eso el títere, al igual su sombra, vivirá con él y morirá con él". Javier Villafañe

FIMFA - Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas está a chegar e  vale a pena descobri-lo (se for o caso!). Deixe-se levar pela arte dos bonecos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

BURN IT BLUE de GOLDENTHAL


"Midnight blue
Spread those wings
Fly free with the swallows
Fly one with the wind..."


Frida e Diego

sábado, 30 de abril de 2011

FRIDA FRIDA | UM ESPECTÁCULO SENSUAL


"Uma viagem pelo imaginário, com paragens em possíveis realidades, um pulsar de vida que se sente num corpo, em agonia, mas que não desiste de levantar voo. As cores, as formas, as emoções chegaram instintivamente. FRIDA FRIDA é um grande coração a bater, entre a tranquilidade e a inquietude, irrigado prlo fluxo deste grande colectivo. Espero o reencontro com alegria. Porque vale a pena, ou não fosse a vida, uma obra-prima em perigo eminente ". Mónica Garcez






FRIDA FRIDA é um espectáculo de  PERFINST baseado no universo de Frida Kahlo. Fala-nos de sentimentos e de relações, através da imagem, dos sons, dos cheiros, do olhar e do movimento.
As personagens, Frida e Diego, interpretadas por Mónica Garcez e Wagner Borges, movimentam-se entre nós envolvendo-nos, sensualmente, na sua história.

PERFINST: conceito em processo de investigação que flui entre as artes do palco e as artes visuais e que o colectivo KARNART  estuda desde 1996.

Nota:  a citação e a fotografia foram retirados do desdobrável "FRIDA FRIDA".

terça-feira, 22 de março de 2011

O que me apaixona?! A Vida.

Padoce de Céu Azul

Bô é coisa mais linda
Que já m`oiá na céu de Cabo Verde
Padoce de céu azul
Que núvem ninhum consegui escondê

Já m dzêb êl tcheu vez
Ma nunca bô levam a sério
Dêss confusão que vida é
Bô é únic beleza que ta restam

Crêtcheu, crêtcheu
Once forever once for all
Crêtcheu,crêtcheu
Once forever you`re the one

Bô é darling, poesia, riquesa
Amor e compreênção
Padoce de céu de Verão
Qu`incompreênsivelmente caím na nha mon

Mar, dam bô compreêncão
Quê pa calmam ess nha coração
Bô quê nha Deus

Autor: Tito Paris

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

E vivam as PALAVRAS!

"As palavras como os seres vivos, nascem de vocábulos anteriores, desenvolvem-se e fatalmente morrem. As mais afortunadas reproduzem-se. Há-as de índole agreste, cuja simples presença fere e degrada, e outras que de tão amoráveis tudo à sua volta suavizam. Estas iluminam, aquelas confundem. Umas são selvagens, irascíveis, cheiram mal dos pés, fungam e cospem no chão. Outras, logo ao lado, parecem altivas e delicadas orquídeas." in Milagrário Pessoal de José Eduardo Agualusa



terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"Penso no Inverno o Verão que foi e será." Le Figaro

Hoje, começa o Inverno, completando-se, neste blogue, um ciclo das estações do ano, "qual carrocel a girar, num dia de festa".

Para marcar este dia, não resisti, à frase que li - "Penso no Inverno o Verão que foi e será." - num recente espaço da blogosfera, que eu recomendo, a quem passa por aqui, por acaso ou não:  Pezinhos de molho, o blog do Cais das Colunas, que oferece beleza e bom gosto nas imagens que são publicadas, a par de um humor refinado dos seus editores. Vão lá! Apesar de ser Inverno, molhem os pezinhos e divirtam-se!

  Prova de Contacto!  de A.C.,

"Penso no Inverno o Verão que foi e será." Le Figaro

Não quero com esta frase, diminuir a importância que o Inverno tem nas nossas vidas, apesar de os dias serem pequenos, a chuva cair a cântaros e o frio nos tolher os movimentos, serem aspectos pouco abonatórios para esta estação. Mas, enfim, temos o Natal para nos animar e alegrar.

Para nos confortar e aquecer?!  ...

Nota: Para ver com maior nitidez e, porventura, melhor qualidade, clicar duas vezes na foto.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O que me aconchega e aquece ...

O que me aconchega e aquece, neste Outono, é eu, ainda, acreditar que existem anjos.



"Every time a bell rings, an angel gets his wings." em   Bicho-carpinteiro

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"Diário de Viagem em Cabo Verde" de Eduardo Salavisa

Muita cor e algum calor de Cabo Verde aconhegou e animou o fim de tarde outonal - chuva e vento - que se fez sentir naquele dia, véspera de feriado: um pequeno livro (14,5x20,5 e 192 páginas) de desenhos e textos de Eduardo Salavisa e que se intitula "Diário de Viagem a Cabo Verde", com um ensaio de Ruth Rosengarten.

"A captura do efémero, por este meio, faz parte do encanto do caderno gráfico ..." Ruth Rosengarten em "Diário de Viagem em Cabo Verde".


No mesmo dia, à mesma hora e no mesmo local,  foi também apresentado Diário de Viagem em Lisboa. Sete colinas, sete desenhadores. Eduardo Salavisa, Filipe Leal de Faria, João Catarino, José Louro, Pedro Cabral, Pedro Fernandes e Richard Câmara apresentam-nos sete percursos.

 "Cada desenhador fez um percurso só seu, vindo de um local da ‘periferia’, em direcção ao umbigo da cidade, cada um em busca de uma das míticas sete colinas." João Seixas em Diário de Viagem em Lisboa 

Cabe-nos descobri-los!

desenhador do quotidiano de Eduardo Salavisa e Tempus fugit de Ruth Rosengarten dois blogues, também eles a descobrir ...


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Outono e a celebração do equinócio.

O Outono chega sempre com o calor do verão que, ainda, nos acalenta e aconchega, nos dias que vão ficando cada dia mais pequenos, mais frescos e menos ensolarados.

Ainda é tempo de ir à praia, agora, quase deserta e arriscar um mergulho (o último ?!). Acabar de ler o livro, que ficou a meio, porque, no verão, o sol está muito forte e a vontade de fazer alguma coisa é quase nula. Iniciar um outro, cuja leitura se prolongará até ao Inverno ...

(Usu)fruir das esplanadas de onde se vê o rio, o mar e a serra, a qualquer hora do dia, porque o calor já não aperta e "flâner" no lusco-fusco do final de tarde são as lembranças que eu guardo de outros Outonos.

E para quem celebrou o equinócio do alto do Formosinho, a minha admiração e os meus parabéns! Arrábida, um dos lugares mais belos que eu conheço. Perfeito para festejar a natureza! Com moscatel e tortas de Azeitão. Só lamento não ter estado lá ...



Por O Caos  - Clube de Actividades de Oxigénio e Sol

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O que nos animou, divertiu e refrescou neste Verão?

















O Quiosque do Refresco de Eduardo Salavisa em desenhador do quotidiano

A mim, o que me refrescou foram uns "belos" mergulhos, nas belas praias que há por aí.

O que me animou e divertiu?! Muita coisa, como já é costume:  música, muita música,  teatro,  festas e feiras tão características do Verão. Mas não só! Essencialmente, quem me animou foram as pessoas que estiveram comigo e partilharam esses momentos felizes ...

E a vocês?! Neste Verão, o que vos animou, divertiu e  refrescou?

sábado, 11 de setembro de 2010

Uma Esplanada sobre o Mar de Vergílio Ferreira

"Uma Esplanada sobre o Mar era certamente onde gostarias de passar muito tempo. Eu sei que eu adoraria, sempre! E sei que, quando encontras uma a aproveitas, mais do que eu ... Aproveita também esta!" (dedicatória, Natal 95)

"A rapariga estava sentada a uma mesa numa esplanada sobre  o mar. Vestia de branco e era loura mas estava muito queimada do sol. (...) Era a meio da tarde e o sol batia em cheio no mar, que se espelhava aqui e além em placas rebrilhantes. O céu estava muito azul e o ar era muito límpido, mas no limite do mar havia uma leve neblina e os barcos que aí passavam tinham os traços imprecisos como se fossem feitos também de névoa. Na praia que ficava em baixo não havia quase ninguém e o mar batia em pequenas ondas na areia. A espuma era mais branca, iluminada do sol, e o ruído do mar era quase contínuo e espalhado por toda a extensão das águas. (...) Foi num desses momentos de alheamento que o rapaz entrou. Vestia calça branca e uma camisola amarela de manga curta. E era louro como a rapariga. (...).

- Desculpa, fiz-te esperar - disse ele.
- Cheguei há pouco (...)
O sol caía em cheio sobre a praia, iluminava o mar até ao limite do horizonte.
- Que é que me querias dizer? - perguntou de novo a rapariga.
Ele sorriu-lhe e tomou-lhe uma das mãos que tinha sobre a mesa.
- Gostei de te ver - disse depois. - Gosto de te ver como nunca. Fica-te bem o vestido branco.
- Já mo viste tanta vez.
- Nunca to vi como hoje. Deve ser do sol e do mar.
- Que é que querias?
- Deve ser dos olhos limpos com que to vejo hoje.
- Nunca reparaste que há certas coisas que nós já vimos muitas vezes e que de vez em quando é como se fosse a primeira?
- Nunca reparei - disse a rapariga.
- Nunca ficaste a olhar o mar muito tempo?
- Sim, já fiquei.
- Ou o lume de um fogão? - disse o rapaz.
- E que queres dizer com isso?
- Ou uma flor. Ou ouvir um pássaro cantar.
- Sim, sim.
- Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e não me cansar da sua monotonia."

Excerto de Uma esplanada sobre o mar, de Vergílio Ferreira

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Festa do chão, da vinha e do vinho.

O  Verão, neste blogue, começou com a Feira de Santiago, que começa no final de Julho e entra pelo Agosto. Em Setembro, não poderia deixar de falar da Festa das Vindimas, cuja temática se centra na terra, chão e no que ela nos dá, neste caso, a vinha e o vinho.

Há muitos vinhos, nesta região, mas eu gostaria de destacar o Moscatel que é designado por alguns "como um monumento de arte agrícola e uma glória nacional."

É produzido a partir da casta moscatel, que é um tipo de uva que prima pelo seu carácter frutado, melado com aroma a fruta tropical, diferenciando os vinhos moscatéis de qualquer outro tipo de vinho. Sabe-se que esta casta é originária do Egipto, tendo-se expandindo pelo Mediterrâneo a partir de Alexandria, provavelmente na época do Império Romano (Galet, 1985).

É um vinho dourado, com perfume suave e um sabor delicado. Enfim, acompanha qualquer momento ...

E há a música que  alegra qualquer feira, festa ou romaria. E quando já estávamos de saída, passámos pelo largo, onde o José Cid cantava e animava. Só ouvimos uma música: "Coração de papelão", dos anos 80.

Não resisto em partilhá- la com quem passa por aqui. Não é uma versão do José Cid, mas que importa?!

Nota: a versão cantada pelo José Cid, disponível no youtube,  não estava em condições de ser publicada.


"Se essa rua fosse minha 
eu mandava-a ladrilhar
com o brilho dos teus olhos
só para o meu amor passar."

Também nos animou (a versão do José Cid)!

A Festa termina hoje, por isso ainda estão a tempo ...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Chovem amores na rua do Matador.

" ...os sonhos são mapas que nos ajudam a orientar na vida. Aqueles que não sabem ler os sonhos, esses, sim, estão perdidos...” Ermelinda Feitinha (mãe).














Uma das frases que compõe o monólogo de uma das quatro personagens femininas - Mariana Chubichuba; Judite Malimali e Ermelinda Feitinha (mãe e filha) - cujos textos foram escritos por José Eduardo AgualusaMia Couto escreveu o monólogo da personagem masculina, Baltazar Fortuna.

 Para Mia Couto o texto “mais do que produzido a duas mãos, foi feito a duas almas. Combinámos, logo de início: eu farei de homem, tu farás de mulher. E fomos, sem falar, acertando que a peça falaria de amores e morte. Não são estes os únicos motivos da literatura?”.

 E é desta união da escrita a dois que surge o texto Chovem amores na rua do Matador que foi representada pelos actores José Rosa e Sandra Santos, do Trigo Limpo, Teatro ACERT. Gostaria aqui de destacar a representação primorosa da actriz que desempenhou os quatro papéis femininos. 

A não perder, num "palco" por esse mundo, onde se fala português.















Também gostaria de destacar os belíssimos textos escritos por José Eduardo Agualusa para as suas personagens. Reconheci nestes monólogos a beleza única e inconfundível como este autor escolhe e utiliza as palavras da nossa língua.

Eu sei que sou suspeita! José Eduardo Agualusa é de uma forma ou de outra uma  presença habitual em As Estações do Ano, ocupando, assim um lugar privilegiado, neste blogue.

Não percam a oportunidade de conhecer a sua escrita!

Nota: para completar a informação sobre Chovem amores na rua do Matador devem seguir os links, título incluído