segunda-feira, 30 de junho de 2014

The heart asks pleasure first | Michael Nyman



da banda sonora do filme "O Piano" de Jane Campion, 1993

domingo, 22 de junho de 2014

Meryl Streep diz Rylke | You, darkness




You, darkness, that I come from
I love you more than all the fires
that fence in the world,
for the fire makes a circle of light for everyone
and then no one outside learns of you.

But the darkness pulls in everything-
shapes and fires, animals and myself,
how easily it gathers them!
- powers and people-

and it is possible a great energy is moving near me.
I have faith in nights.

Rainer Maria Rilke

sábado, 21 de junho de 2014

VERÃO



Hoje é o dia em que o sol nos faz companhia durante mais tempo.

E, nesta estação estival, aproveitemos a luz e o calor que dele emanam ...











Fonte da Telha

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O que me animou e apaixonou nesta primavera?



E nesta primavera em que o sol intercalou com a chuva e o frio com o calor, a música ajudou a aquecer as noites ainda frias, em que a animação e a paixão se uniram para tornar esta primavera a continuação dos invernos e verões que se vão seguindo uns aos outros. 

Primaveras? Uma forma de medir o tempo, a vida, os sentimentos ...

Fernando Pessoa por Almada Negreiros




Retrato de Fernando Pessoa, 1954, óleo sobre tela.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Marcha de Santo António | Cuca Roseta



Marcha de Santo António

Vê o meu balão aqui a baloiçar
Verde e encarnado de luz a brilhar
É uma estrela num arco enfeitado
No céu de Lisboa, na marcha a passar

Letra de Norberto Araújo e música de Raúl Ferrão

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Nadie nos mira por Marta Lira




Nenhum Olhar de José Luis Peixoto

조제 루이스 페이쇼투 dito por 낭송: 김한민



Na hora de pôr a mesa éramos cinco de José Luis Peixoto

시: 조제 루이스 페이쇼투 Poema de José Luís Peixoto, 번역: 강구 traduzido por Byung Goo Kang,
낭송: 김한민 diseur, Hanmin Kim.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Minha Pátria é a Língua Portuguesa | Fernando Pessoa

"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida. (...)

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio...» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica. 

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse. 

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.»

em O Livro do Desassossego de Bernardo Soares 

Compreendes-te o alcançe?!



Mixórdia de Temáticas | Ricardo Araújo Pereira

quarta-feira, 4 de junho de 2014