segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Dia Europeu das Línguas

Bem vindos a todos os que, por aqui, passam, por acaso, ou não! Aprendam línguas!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

NOISERV

Porque a música, na minha vida, é uma das coisas que me anima e me aconchega, convido a quem passa por aqui, por acaso ou não, a ficar e a ouvir ...  NOISERV!

VINTE E TRÊS , 2016



de Noiserv (letra e música)

NÃO CANTO PORQUE SONHO, 2014  (versão de Noiserv)



Música de Fausto Bordalo Dias e A. P. Braga, 1974
Poema de Eugénio de Andrade


O PALCO DO TEMPO, 2010



Letra e música de Noiserv.



Septembre Song

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Diogo Piçarra | Dialeto

E, entre muitas músicas, esta ficou-me ...

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Às vezes no silêncio da noite ...

Foi um privilégio ouvir Caetano Veloso, ontem, no Coliseu!




de Peninha

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Sobe o Calor em Refrigerantes & Canções de Amor




"Sobe o calor", letra de Sérgio Godinho e música de Filipe Raposo, "Sobe o calor" integra a banda sonora do filme com argumento de Nuno Markl e realização de Luis Galvão Teles "Refrigerantes & Canções de Amor" que chega hoje às salas de cinema. Para desfrutar!

domingo, 14 de agosto de 2016

Comptine d' un autre été de Yann Tiersen

À la claire fontaine | The painted veil



The painted veil, 2006, filme de John Curran, baseado no romance de Somerset Maugham com o mesmo nome.

À la claire fontaine

À la claire fontaine
M'en allant promener,
J'ai trouvé l'eau si belle,
Que je m'y suis baignée.

Il y a longtemps que je t'aime
Jamais je ne t'oublierai.

Sous les feuilles d'un chêne
Je me suis fait sécher,
Sur la plus haute branche,
Un rossignol chantait.

Il y a longtemps que je t'aime
Jamais je ne t'oublierai.

Chante, rossignol, chante,
Toi qui as le coeur gai,
Tu as le coeur a rire,
Moi, je l'ai à pleurer.

Il y a longtemps que je t'aime
Jamais je ne t'oublierai.

J'ai perdu mon ami
Sans l'avoir mérité,
Pour un bouquet de roses,
Que je lui refusai.

Il y a longtemps que je t'aime
Jamais je ne t'oublierai.

Je voudrais que la rose
Fût encore au rosier,
Et que mon doux ami
Fût encore à m'aimer

Comptine

segunda-feira, 27 de junho de 2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Benvindo VERÃO!



Summertime de George Gershwin, interpretado por Norah Jones.

domingo, 5 de junho de 2016

segunda-feira, 11 de abril de 2016

sábado, 5 de março de 2016

Viagens | Pedro Abrunhosa





Já vai alta a noite, vejo o negro do céu,
deitado na areia, o teu corpo e o meu.
Viajo com as mãos por entre as montanhas e os rios,
e sinto nos meus lábios os teus doces e frios.
E voas sobre o mar, com as asas que eu te dou,
e dizes-me a cantar: "É assim que eu sou",
olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo,
olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo,
eu não tenho nada mais p'ra te dar,
esta vida são dois dias,
e um é para acordar,
das histórias de encantar,
das histórias de encantar.
Viagens que se perdem no tempo,
viagens sem princípio nem fim,
beijos entregues ao vento,
e amor em mares de cetim.
Gestos que riscam o ar,
e olhares que trazem solidão,
pedras e praias e o céu a bailar,
e os corpos que fogem do chão.

Viagens, 1994

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Contigo não há frio, nem inverno...



Clandestinos do Amor  (do filme Os gatos não têm vertigens)

Enquanto olhares para mim sou eterna
estou viva enquanto ouvir a tua voz
contigo não há frio, nem inverno
e a música que ouvimos vem de nós
...

Tu sabias que eu vinha ter contigo
pegaste-me na mão para dançar
como se acordasse um sonho antigo
...

Clandestinos do amor de António Pedro Vasconcelos

Quero um cavalo de várias cores

poema de de Reinaldo Ferreira

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Márcia | A insatisfação





Escrita fina
quando corre ensina
não dura um deserto que atravesse
Pode ir sendo
que demore um tempo
mais tarde ou mais cedo
lá me acerto

Na lembrança
o meu céu de criança
a quem nunca se entrega um tom cinzento
por momentos
vem num pensamento
e uma nuvem chove cá por dentro

Quase nada
(experimento o céu de negro que há de norte a sul
nunca me conforma
(prometo-me a mim mesma mais de céu azul)
a insatisfação
(temo que haja pouco pra me contentar)
nunca me abandona
(mas nada me impede de tentar)

Porque tento
andar atrás no tempo
e entender a chuva que acontece?
Como por magia
há sempre um novo dia
e outra Lua Nova que anoitece
Se a madrugada traz uma canção
pouco importa que me insista hoje em "dia não"
tomei o meu fastidio pra me atormentar
pedras no meu trilho são pra me assentar

Quase nada
(experimento o céu de negro que há de norte a sul
nunca me conforma
(prometo-me a mim mesma mais de céu azul)
a insatisfação
(temo que haja pouco pra me contentar)
nunca me abandona
(mas nada me impede de tentar)

...

Insatisfação, música e letra de Márcia. Junho de 2015

AMOR, como o vemos ... Almadança!

almadanca: "AMOR como o vemos..."

Em Almada, por onde é, sempre, um prazer passar ... Almadança.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

sábado, 5 de setembro de 2015

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Enquanto for só ternura de VERÃO ... Enquanto!



Um Caso Mais

Enquanto foi só um bom momento deu
Enquanto foi só um pensamento meu
Deus, deu só num caso forte a mais.

Enquanto se achava graça ao que se escondeu
E a horas eram mais longas do que a verdade
Fez p'ra ser só outro caso mais.
Enquanto for só ternura de Verão
Eu vou,
Enquanto a excitação der para um carinho
Eu dou.
Traz
Uma leveza

Ah, mas concerteza
Eu dou
Um outro melhor bom dia.

Já trocámos nortadas por vento sul
Enquanto demos risadas foi-se o azul
Nem sei qual deles foi azul demais.

Mas não ficará só a sensação de cor
Nem sei o que o coração irá dizer de cor
Se o Inverno for, depois, duro demais.

Trovante

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Júlio Resende e Elisa Rodrigues: A tua frieza gela



A tua frieza gela de António Zambujo e Maria do Rosário Pedreira

domingo, 21 de junho de 2015

Primeira Noite de Verão de Sophia

Comecei a escrever numa noite de primavera, uma incrível noite de vento leste e junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter – nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite.

No gume da perfeição, no imenso halo de luz azul e transparente, no rouco da treva, na quasi palavra de murmúrio da brisa entre as folhas, no íman da lua, no insondável perfume das rosas, havia algo de pungente, algo de alarme.

Como sempre a noite de vento leste misturava extasi e pânico. 

Sophia de Mello Breyner  
 Porto, 9 de maio de 1934

domingo, 14 de junho de 2015

Carlos Carmo e Bernardo Sassetti: No teu poema



No teu poema de José Luís Tinoco

2011: porque amanhã é sempre tarde demais!



2011: Pedro Abrunhosa

Who can say where the road goes | Enya



Only Time by Enya

Who can say where the road goes?
Where the day flows?
Only time
And who can say if your love grows
As your heart chose?
Only time

Who can say why your heart sighs
As your love flies?
Only time
And who can say why your heart cries
When your love lies?
Only time

Who can say when the roads meet
That love might be in your heart?
And who can say when the day sleeps
If the night keeps all your heart,
Night keeps all your heart?

Who can say if your love grows
As your heart chose?
Only time
And who can say where the road goes?
Where the day flows?
Only time

Who knows? Only time

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Júlio Resende e Elisa Rodrigues | Dá-me Lume




Dá-me lume 

Chegaste com três vinténs
E o ar de quem não tem
Muito mais a perder
O vinho não era bom,
A banda não tinha tom,
Mas tu fizeste a noite apetecer.
Mandaste a minha solidão embora,
Iluminaste o pavilhão da aurora,
Com o teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar.

Eu fiquei louco por ti,
Logo rejuvenesci,
Não podia falhar!
Dispondo a meu favor
Da eloquência do amor
Ali mesmo à mão de semear
Mostrei-te a origem do bem e o reverso,
Provei-te que o que conta no universo
É esse passo inseguro e o paraíso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
Deixa o teu fogo envolver-me, até a música acabar
Dá-me lume, não deixes o frio entrar
Faz os teus braços fechar-me as asas há tanto tempo a acenar

Eu tinha o espírito aberto
Ás vezes andei perto
Da essência do amor
Porém no meio dos colchões
No meio dos trambolhões
A situação era cada vez pior
Tu despertaste em mim um ser mais leve
E eu sei que essencialmente isso se deve
A esse passo inseguro e ao paraíso no teu olhar

Se eu fosse compositor
Compunha em teu louvor
Um hino triunfal
Se eu fosse crítico de arte
Havia de declarar-te
Obra prima à escala mundial
Mas eu não passo de um homem vulgar
Que teve a sorte de saborear
Esse teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar

poema de Jorge Palma

quarta-feira, 10 de junho de 2015

SONHO E POESIA | Pedro Lamares



A poesia não se serve em pratos de balança | Pedro Lamares, 2015

 A minha escolha para marcar este dia de Portugal: 

Pedro Lamares diz, de Alberto Caeiro, 'Guardador de Rebanhos' - O meu olhar é nítido como o girassol, Portugal de Jorge Sousa Braga, e este texto de Manuel António Pina. Fica, aqui, o registo escrito deste último.

Manuel António Pina escreveu este texto no Jornal de Notícias, em 9 de novembro de 2005

Os meus gatos dormem durante a maior parte do dia (e, obviamente, durante a noite toda). Suspeito que os gatos têm um segredo, que conhecem uma porta para um mundo coincidente e feliz, por onde só se passa sonhando. Um mundo criado como Deus terá criado o nosso humano mundo, à sua desmesurada imagem. Porque os que sonham são deuses criadores. Os gatos sonham dormindo, os homens sonham fazendo perguntas e procurando respostas.

Mas os meus gatos dormem e sonham porque não têm fome. Teriam, se precisassem de procurar comida, tempo para sonhar? Acontece talvez assim com os homens. Como se o espírito criador fosse, afinal, prisioneiro do estômago. Talvez, então, a mesquinhez de propósitos da nossa vida colectiva radique, como nos querem fazer crer, no défice, e talvez o cumprimento das normas do pacto de estabilidade seja o único sonho que nos é hoje permitido.

E, contudo, dir-se-ia (e isto é algo que escapa aos economistas) que é o sonho, mais do que a balança de pagamentos, que alimenta a vida, e que os povos, como os homens, precisam de mais do que de números. Os próprios números têm (os economistas não o sabem porque a sua ciência dos números é uma ciência de escravos) o poder desrazoável de, não apenas repetir, mas sonhar o mundo.

Há anos que somos governados por economistas e o resultado está à vista. Talvez seja chegada a altura de ser a política (e o sonho) a dirigir a economia e não a economia a dirigir a política. Jesus Cristo «não sabia nada de finanças, / nem consta que tivesse biblioteca», e o seu sonho, no entanto, continua a mover o mundo.


JN, 09/11/2005

terça-feira, 2 de junho de 2015

'Que ninguém há de saber o que disseres'




Cantiga de Amor

Preferias que cantasse noutro tom
Que te pintasse o mundo de outra cor
Que te pusesse aos pés um mundo bom
Que te jurasse amor, o eterno amor

Querias que roubasse ao sete estrelo
A luz que te iluminasse o olhar
Embalar-te nas ondas com desvelo
Levar-te até à lua para dançar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há de saber o que disseres

Talvez até pudesse dar-te mais
Que tudo o que tu possas desejar
Não te debruces tanto que ainda cais
Não sei se me estás a acompanhar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há de saber o que disseres

Podia, se quisesses, explicar-te
Sem pressa, tranquila, devagar
E pondo, claro está, modéstia à parte
Uma ou duas coisas, se calhar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há de saber o que disseres

do álbum 08 de 2008

sexta-feira, 22 de maio de 2015

quarta-feira, 20 de maio de 2015

terça-feira, 19 de maio de 2015

Clandestinos do amor | Ana Moura



Clandestinos do amor de António Pedro Vasconcelos, da banda sonora Os gatos não têm vertigens, do mesmo autor, 2014.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ninguém faz de propósito, eu sei! Mas acontece tantas vezes ...



"Para celebrar o Dia Internacional da Língua Portuguesa, Vasco Palmeirim convidou os D.A.M.A para se juntarem a ele numa nova versão de Às Vezes. Passou a ser Às Vezes (Escuto e Observo Erros de Português). Juntos, somos os Cavaleiros do Priberam."

Neste poema, enunciam-se muitos dos erros que encontramos por , lamentavelmente, em textos de pessoas que teriam a obrigação e o dever de não os cometer. Podem ouvir com atenção a letra e, em caso de dúvidas, consulte o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Eu faço-o! 

terça-feira, 5 de maio de 2015

O Dia da Língua Portuguesa e da Cultura

Hoje é o dia em que, oficialmente, se comemora o dia da língua portuguesa e da cultura no mundo da lusofonia. Escolhi o episódio de Inês de Castro de Os Lusíadas, por o considerar um dos textos mais bonitos escritos na nossa língua.


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Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

Do teu Príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus formosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam;
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria.

De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tálamos enjeita,
Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas,
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo e a fantasia
Do filho, que casar-se não queria,

Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co sangue só da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Contra ua fraca dama delicada?

Traziam-a os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saudade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava,

Pera o céu cristalino alevantando,
Com lágrimas, os olhos piedosos
(Os olhos, porque as mãos lhe estava atando
Um dos duros ministros rigorosos);
E depois nos mininos atentando,
Que tão queridos tinha e tão mimosos,
Cuja orfindade como mãe temia,
Pera o avô cruel assim dizia:

-«Se já nas brutas feras, cuja mente
Natura fez cruel de nascimento,
E nas aves agrestes, que somente
Nas rapinas aéreas têm o intento,
Com pequenas crianças viu a gente
Terem tão piadoso sentimento
Como com a mãe de Nino já mostraram,
E cos irmãos que Roma edificaram:

Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito
(Se de humano é matar ua donzela,
Fraca e sem força, só por ter subjeito
O coração a quem soube vencê-la),
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o não tens à morte escura dela;
Mova-te a piedade sua e minha,
Pois te não move a culpa que não tinha.

E se, vencendo a Maura resistência,
A morte sabes dar com fogo e ferro
Sabe também dar vida com clemência
A quem pera perdê-la não fez erro.
Mas, se to assim merece esta inocência,
Põe-me em perpétuo e mísero desterro,
Na Cítia fria ou lá na Líbia ardente,
Onde em lágrimas viva eternamente.

Põe-me onde se use toda a feridade,
Entre liões e tigres, e verei
Se neles achar posso a piedade
Que entre peitos humanos não achei.
Ali, co amor intrínseco e vontade
Naquele por quem mouro, criarei
Estas relíquias suas, que aqui viste,
Que refrigério sejam da mãe triste.»

Queria perdoar-lhe o Rei benino,
Movido das palavras que o magoam;
Mas o pertinaz povo e seu destino
(Que desta sorte o quis) lhe não perdoam.
Arrancam das espadas de aço fino
Os que por bom tal feito ali apregoam.
Contra ua dama, ó peitos carniceiros,
Feros vos amostrais - e cavaleiros?

Qual contra a linda moça Policena,
Consolação extrema da mãe velha,
Porque a sombra de Aquiles a condena,
Co ferro o duro Pirro se aparelha;
Mas ela, os olhos com que o ar serena
(Bem como paciente e mansa ovelha)
Na mísera mãe postos, que endoudece,
Ao duro sacrifício se oferece:

Tais contra Inês os brutos matadores,
No colo de alabastro, que sustinha
As obras com que Amor matou de amores
Aquele que depois a fez Rainha,
As espadas banhando, e as brancas flores,
Que ela dos olhos seus regadas tinha,
Se encarniçavam, férvidos e irosos,
No futuro castigo não cuidosos.

Bem puderas, ó Sol, da vista destes,
Teus raios apartar aquele dia,
Como da seva mesa de Tiestes,
Quando os filhos por mão de Atreu comia!
Vós, ó côncavos vales, que pudestes
A voz extrema ouvir da boca fria,
O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,
Por muito grande espaço repetistes!

Assim como a bonina, que cortada
Antes do tempo foi, cândida e bela,
Sendo das mãos lacivas maltratada
Da minina que a trouxe na capela,
O cheiro traz perdido e a cor murchada:
Tal está, morta, a pálida donzela,
Secas do rosto as rosas e perdida
A branca e viva cor, com a doce vida.

As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores!

em Os Lusíadas de Luís de Camões (Canto III, estrofes 120 -135)


segunda-feira, 4 de maio de 2015

STILL ALICE | Memories: my most precious possessions!

All my live I' ve accumulated memories. They' ve become, in a way, my most precious possessions ...



Still Alice de Richard Glatzer e Wash Westmoreland, 2014.

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
(...)

In Art  de Elizabeth Bishop

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Zeca Afonso ao vivo | Coliseu 1983



Lembrar, hoje, no dia em que, ainda, se comemora o Dia do Trabalhador, Luís Cilia, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, Francisco Fanhais, Vitorino, Sérgio Godinho ... neste concerto de Zeca Afonso, no Coliseu, em 1983 (na íntegra).

Trova do vento que passa de Manuel Alegre

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça 
o vento nada me diz. 

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas 
e os rios não me sossegam 
levam sonhos deixam mágoas. 

Levam sonhos deixam mágoas 
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz. 

Se o verde trevo desfolhas 
pede notícias e diz 
ao trevo de quatro folhas 
que morro por meu país. 

Pergunto à gente que passa 
por que vai de olhos no chão. 
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão. 

Vi florir os verdes ramos 
direitos e ao céu voltados. 
E a quem gosta de ter amos 
vi sempre os ombros curvados. 

E o vento não me diz nada 
ninguém diz nada de novo. 
Vi minha pátria pregada 
nos braços em cruz do povo. 

Vi minha pátria na margem 
dos rios que vão pró mar 
como quem ama a viagem 
mas tem sempre de ficar. 

Vi navios a partir 
(minha pátria à flor das águas) 
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome. 
Eu vi-te crucificada 
nos braços negros da fome. 

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste. 
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste. 

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo 
vi minha pátria florindo. 

E a noite cresce por dentro 
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz. 

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas. 
Não sabem ler é verdade 
aqueles pra quem eu escrevo. 

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa. 

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão 
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Chuva no mar | Carminho e Marisa Monte



Chuva no mar do álbum Canto, 2014
poema de Arnaldo Antunes e música de Carminho e Marisa Monte

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Há trinta anos que a Arrábida me fascina!

 Há 35 anos, fui a Paris pela primeira vez e fiquei deslumbrada. Há 30 anos que sou professora e ainda não me arrependi.  Há 28 anos, fiz interrail e viajei sem destino. Há 20 anos que moro em  Setúbal, cidade que escolhi para viver. Há treze anos, fui mãe e foi um momento mágico!


       Há trinta anos que a Arrábida me fascina!    Foto de Sara Oliveira

Este texto é sobre a utilização do  (verbo haver) com expressões de tempo. A forma que eu encontrei para explicar o seu emprego foi o de partilhar com quem passa por aqui, por acaso ou não, alguns momentos felizes da minha vida. Cuidem bem da nossa língua e não se desculpem com o acordo ortográfico. Facto continua a escrever-se com C e cágado continua a ter acento, como palavra esdrúxula que é. Filtrem a informação que partilham por essas redes sociais que, muitas vezes, induzem as pessoas em erro. A língua portuguesa (com sotaque ou sem) agradece!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Que dance a linda flor, girando por aí ...



Bela Flor de Maria Gadú

Adolfo Luxúria Canibal diz Mário Cesariny



Exercício espiritual de Mário Cesariny

Quero escrever-te um poema que ... | Nuno Júdice

Quero escrever-te um poema que
tenha um sentido claro como o
que os teus olhos me disseram.

Poderia ser um poema de amor,
tão breve como o instante em
que me deixaste ver os teus olhos.

Mas o que os olhos dizem não cabe
num poema, nem eu sei como se diz
o amor que só os olhos conhecem.

Nuno Júdice